2 de março de 2018

Resenha » GUACHE - O Que Vem (2018)

Ouvir dois sujeitos brasileiros reproduzindo um post-punk minimalista é imaginar o país sendo coberto por uma névoa densa que deixa todo o território as escuras, pra não dizer claustrofóbico.

Exagerei em dizer todo esse Brasil. Mais precisamente o Rio de Janeiro que fica coberto por essa atmosfera tudo isso graças ao duo carioca GUACHE formado por Luciana Melo e Gil Fortes na estréia da banda com o disco "O Que Vem." O conceito do álbum está inserido num plano noturno onde as notas parecem galgar friamente por uma cidade pintada em preto e branco.



Talvez isso simbolize esses tempos obscuros em que vivemos. Se esta era uma pretensão por trás do registro, a estética do disco consegue refletir bem isso. O que dirá as letras de Mundo Dividido e Cidade Suja! Numa ligeira alusão, a sonoridade do grupo remete muito o que faz o The xx principalmente no primeiro disco da banda e o Nosso Querido Figueiredo.

É como se a mpb assumisse características do post-punk, trip hop e darkwave, por exemplo, numa roupagem gringa, mas com brasilidade. Nada sai do prumo. O trabalho harmonioso do conjunto, guitarra, baixo, synths, bateria eletrônica e vocais confabulam uma melancolia que se perpetua pelo disco de clima frio, seco, paralisante, silencioso conduzido por vozes lânguidas.

"O Que Vem" é um acerto e tanto da GUACHE. Simples, mas profundo e real!


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23 de fevereiro de 2018

Resenha » Poliça & s t a r g a z e - Music for the Long Emergency (2018)

A Poliça lançou em 2016 o bom álbum "United Crushers" e esse ano a banda se juntou ao coletivo alemão s t a r g a z e para lançarem o disco "Music for the Long Emergency".

Dessa parceria saiu um disco que busca reunir vários elementos e ritmos, orquestrais e eletrônicos, dentro de um só álbum para predominar contrastes. Tal como na sequência com o pop tranquilo de Agree e o frenesi de Cursed com um ligeiro rap inserido na faixa.

No disco são apenas sete faixas onde somos induzidos a ter percepções distintas entre elas afim de enxergarmos as peculiaridades de cada uma, como a enigmática How Is This Happening em seus longos dez minutos de duração. A influência do grupo s t a r g a z e é sentida em Fake Like cuja melodia, sinfonicamente refinada ao fundo, transparece um lado mais emotivo da Poliça. O avesso dessa sensação é a alucinada Marrow.



Speaking Ghosts é outra canção que traz um retoque instrumental da s t a r g a z e com um lado contemporâneo sutil embalando os vocais de Channy Leaneagh. Se a proposta era unir o que os dois grupos tinham de melhor aqui está mais um exemplo. A faixa pode te lembrar de Beirut a música erudita por alguns instantes.

Mas isso é apenas um momento do disco dentre outros citados acima não na ordem da tracklist exatamente. O álbum encerra com a faixa homônima de quase dez minutos que vai desde um trilha pop à uma marcha imperial.

"Music for the Long Emergency" é a Poliça sendo artisticamente mais pop.

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27 de outubro de 2017

Resenha » Loomer - Deserter (2017)

Aqui está mais um candidato a "Disco do Ano Nacional" no Música Café. "Deserter" é o segundo disco de inéditas da Loomer, banda gaúcha que é atualmente uma das expoentes do shoegaze nacional.

O sucessor de "You Woudn’t Anyway" (2013), "Desert" carrega em seus genes não somente peso e força para causar um impacto maior em cada música, mas também tem sua origem baseada no equilíbrio de suas influências que nos faz saudosistas quando o assunto é shoegaze e décadas atrás.



Lack, que ganhou um vídeo, é um dos destaques do álbum que nos remete a My Bloody Valentine, Dinosaur Jr e Yo La Tengo e faz ótima dobradinha com Miles. Embora certas lembranças estejam associadas a outras bandas, há muito mais que isso. Cada música eleva a moral da banda pouco a pouco destacando virtudes como as aguerridas Then You Go e Personal Illusion e as ácidas I Have To Stay e Stardust.

Se o principal insumo de seu trabalho é o barulho, a Loomer trata de lapidá-lo para deixar ele cada vez mais notável, menos sujeito a falhas, e coeso. Parece um paradoxo pensarmos em harmonia quando o objetivo é destoar fora do senso comum, porém a Loomer torna isso real quando seu trabalho traz uma efusão de ruídos caprichados.

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7 de setembro de 2017

Resenha » Maglore - Todas as Bandeiras (2017)

Está precisando ouvir um disco nacional que cause uma boa impressão logo de cara sem muito invencionismo? O quarto disco da Maglore, "Todas as Bandeiras", pode ser uma boa pedida pra você.

Os baianos entregaram um disco pronto para ser consumido sem obstáculos equilibrando sua brasilidade na veia roqueira tendo o pop como elemento acessível ligando as vertentes e improvisos da banda. Isso sem contar com as letras fáceis de cantar.

As três primeiras faixas, Aquela Força, Todas as Bandeiras e Clonazepam 2mg, já mostram isso logo de cara divertindo a gente. Apesar de termos aqui um disco em boa parte homogêneo, mantendo a mesma pegada, é possível encontrarmos alguns contrastes como a faixa Hoje Eu Vou Sair com guitarras eufóricas distorcendo a linearidade construída até o momento e Quando Chove no Varal trazendo o sossego na melodia e nos vocais.

A Maglore apostou numa fórmula simples de fazer músicas que grudassem com facilidade, porém sem soar algo muito forçado. É assim em Me Deixa Legal, Eu Consegui, Calma e na mais regionalista/dançante de todas, Jogue Tudo Fora. Na última faixa, Valeu, Valeu, a Maglore sugere um "axé roqueiro" com um jogo de guitarras empolgadas.

"Todas as Bandeiras" é um disco satisfatório feito pra muita gente ouvir além do nicho austero independente.

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18 de agosto de 2017

Resenha » Grizzly Bear - Painted Ruins (2017)

Depois de conhecermos quatro músicas novas, dentre elas o carro-chefe Mourning Sound, o streaming do "Painted Ruins" do Grizzly Bear já está entre nós.

Desde que ele vazou dias atrás dá para, no mínimo, sentirmos a relevância que a banda tem com seus discos hoje em dia. "Painted Ruins" pode não trazer a grandeza que o aclamado Veckatimest (2009), principal referência da banda, mas certamente apresenta o insight e a sensibilidade que o Grizzly Bear possui. Em músicas como Three Rings, Aquarian, Glass Hillside e Neighbors tudo isso vem à tona.

Criatividade é uma necessidade recorrente na atualidade e enquanto algumas bandas ousam e exageram na dose, o Grizzly Bear parece se manter tranquilo quanto a isso se precavendo para não extrapolar limites, prezando fazer um disco coeso e com um bom nível.


Vale destacar que em "Painted Ruins" o Grizzly Bear não perdeu sua complexidade experimental e psicodélica, características inatas da banda, mas desta vez eles a apresentam de forma objetiva para uma assimilação mais ligeira sem a necesidade de escutar o disco várias vezes para finalmente entende-lo.

Ele pode não ser superior aos anteriores, mas sem dúvidas tem o selo de qualidade "Grizzly Bear" que pode agradar não somente ouvintes menos assíduos do grupo por ser o mais acessível como também os mais exigentes.

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