15 de novembro de 2019

Resenha » Tindersticks - No Treasure But Hope (2019)


O Tindersticks sempre foi uma banda para poucos apreciarem. Principalmente nos dias de hoje quando tudo é urgente e instântaneo. Indo contra essa corrente, o grupo britânico exige calma para ouvir seus discos para a imersão ser completa e a experiência não ser perdida ou diminuida pela impaciência.

"No Treasure But Hope", décimo segundo disco do grupo, entrega mais uma experência sentimental sublime. As quatro primeiras faixas do álbum, For The Beauty, The Amputees, Trees Fall e a belíssima Pinky In The Daylight, já tratam de dar o tom elegante que sempre foi uma marca do Tindersticks. Acontece que aqui essa elegância está bem mais singela tornando o tal do chamber-pop mais acessível e atraente sem transparecer exageros ou prepotência.



O uso de elementos orquestrais, imprescíndivel pro estilo e pra banda, dão essa pompa ao registro como se vê o piano ditar o ritmo em Carousel. Nessa faixa o Tindersticks prova que não precisa de muito para arrancar nossos suspiros. A faixa seguinte, Take Care In Your Dreams, é uma baladinha sofisticada embalada pelo violão e backing vocals acompanhando o timbre marcante de Stuart Staples.

Esse sem dúvidas é o melhor álbum do Tindersticks desde o "Waiting For The Moon" (2003) por ser mais objetivo, leve e homogêneo. Eles até arriscaram sair um pouco dessa linha melancólica entregando uma repentina sensação mais animada em "See My Girls". Música divertidade do ponto de vista do Tindersticks. Contudo esse momento de "descontração" logo passa e voltamos a apreciar o bom e velho Tindersticks em outra bonita canção, The Old Mans Gait.

O disco encerra com Tough Love e No Treasure But Hope que se distiguem pela empolgação e melancolia, mas com a mesma aparência de serem elegantes como o Tindersticks é e esse álbum é.

Stream: Spotify | Deezer | Bandcamp

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