5 de outubro de 2019

Resenha » Wilco - Ode To Joy (2019)


"Ode To Joy" é o décimo primeiro disco do Wilco e, assim de cara, já é o melhor da banda desde o "Wilco (The Album)" de 2009. No inédito álbum, Jeff Tweedy e companhia não escorrega na sua própria capacidade artística e mantém os pés no chão.

As quatro primeiras faixas do disco (Bright Leaves, Before Us, One And a Half Stars e Quiet Amplifier) revelam um Wilco sereno trabalhando cuidadosamente na harmonia e sutilezas das faixas com a banda nos convidando a apreciar os detalhes que compõe os momentos iniciais do disco. Aqui as faixas seguem o mesmo rumo parecendo que a seguinte contempla a anterior.

Na sequência vem a baladinha Eveyone Hides de refrão e batida repetitivos quebrar levemente esse momento de quietude do Wilco. Arrisco dizer que esse é um dos discos mais homogêneos que a banda já fez. Isso pode soar um tanto perigoso em determinado momento em que a monotonia comece a pairar no ar.



Com destreza o Wilco não deixa isso acontecer. Isso porque o grupo continua entregando ricas melodias com um instrumental refinado como White Wooden Cross onde é possível sentir a leveza da banda como se estivesse tocando numa seção acústica. O clima mais bucólico segue com Citizens.

A presença da guitarra ganha um capítulo a parte em We Were Lucky quando sua força ousa contrastar com a melancolia que se arrasta pela música. Love Is Everywhere (Beware) foi o primeiro single que o grupo revelou e mal sabíamos que ele revelava tudo aquilo que encontraríamos em "Ode To Joy". A faixa representa bem aquilo que o Wilco fez em seu novo disco.

Seguindo com a proposta folk/country Hold Me Anyway soa divertida a nossos ouvidos sem destoar do restante da obra. Já An Empty Corner, que encerra o disco, reflete um Wilco reservado procurando caprichar nos detalhes para nos embalar.

"Ode To Joy" é um disco coeso e confortável onde o Wilco preferiu trabalhar dentro de sua redoma lapidando sua sonoridade para entregar um disco cheio de afagos.

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