Entrevista: Adorável Clichê | MÚSICA CAFÉ

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Entrevista: Adorável Clichê

A banda catarinense Adorável Clichê lançou recentemente seu primeiro disco cheio chamado "O Que Existe Dentro de Mim". Aproveitei a gentileza da banda e fiz uma entrevista com os integrantes para conhecermos mais a respeito deles e do lançamento do disco lançado pelo selo "Nuzzy Records".

Fale um pouco sobre como a banda começou, a escolha do nome... Tipo, todos os integrantes já tinham uma paixão pelo shoegaze, dream-pop? E, se formos definir a Adorável Clichê ela é mais shoegaze ou mais dream-pop?

Marlon: A banda começou em 2013 mas eu e o Diogo já tocávamos em outras bandas em 2012. A partir dos shows dessas outras bandas que nos conhecemos e começamos a fazer umas jams juntos numas tardes de tédio. Ele teve a ideia de chamar a Gabrielle pra realmente tentarmos formar uma banda e assim foi. Acho que o som que a gente tocava naquela época pouco reflete no que estamos fazendo agora. Enfim, apesar disso sempre considero que nós começamos a nos levar a sério como banda em 2015, quando lançamos Eu Invisível e começamos a tocar apenas repertório autoral. Eu e o Diogo gostávamos muito de post rock e emo. O Dream Pop e Shoegaze apareceu mais tarde pra gente, lá por 2015 mesmo. Acho que é um rachão 50/50 dos dois. Difícil dizer até porque as músicas são muito diferentes umas das outras.

Lucas: A banda começou no final de 2013 e eu (baixista) entrei na banda mais pro final de 2015. Eu escutava shoegaze e dream-pop, porém sempre fui de ouvir mais outros estilos como Stoner, Doom, Nu-metal até Samba, Jazz e Tango. Vou contar que nem nós da banda sabemos qual estilo somos definitivamente. Preferimos estar livres de rótulos.

É mais comum ouvir o shoegaze/dream-pop cantado em Inglês até mesmo por bandas brasileiras. Porque a preferência por cantar em Português? Seria pra fugir do "clichê" gringo?

Lucas: A Gabrielle sempre compôs as letras em português de maneira espontânea durante alguns ensaios. Acredito que não foi algo exatamente pensado em fugir do clichê gringo. Mas em português ela consegue passar de maneira mais verdadeira os sentimentos, é ela cantando como fala no seu dia a dia. Ao meu ver, cantar e, principalmente, compor no nosso idioma é mais complicado do que em inglês.

O título do disco "O Que Existe Dentro de Mim" é auto-explicativo, mas o que existe dentro da Adorável Clichê? As composições abordam alguma temática específica?

Gabrielle: Não temos o objetivo de limitar o assunto das composições. São todas confessionais e de forma geral descrevem a fase que eu estava vivendo entre 2016 e 2018.

Lucas: A temática pra mim é a sinceridade, é a nossa essência que colocamos em cada música, cada integrante sendo verdadeiro tocando seu instrumento/voz, realmente deixando o que existe dentro de cada um de nós ser o que nos faz compor e tocar nosso som.



Desde o EP, "São Tantos Anos Sem Dizer", até o aguardado primeiro disco passaram-se quase dois anos. Nesse período deu pra lapidar alguma coisa no som?

Gabrielle: Com certeza. Começamos a pensar de fato no que somos e no que queremos ser musicalmente e surgiu a vontade de fazer algo mais com a nossa cara, ou com a junção das identidades que existem dentro da banda, em casa integrante.

Lucas: Deu pra lapidar muita coisa. Evoluímos muito como banda e também individualmente.

Sonoramente falando "O Que Existe Dentro de Mim" é um disco pesado, distorcido e barulhento embora tenha um viés pop pra acalmar as coisas. Como surgiu isso? Tipo, como se deu as escolhas quanto a intensidade e ritmo que cada música ia tomar?

Marlon: Tudo de forma espontânea nos ensaios. Creio que o fato da gente não se preocupar tanto na questão da direção em que estávamos rumando facilitou o acontecimento dessa mistura.

Lucas: Muitas músicas foram feitas em apenas 1 dia, como: Traços, Falsa Valsa, Eu Só Queria Que Tudo Tivesse um fim e Crescer. Arranjos e outros detalhes foram feitos na hora da gravação. Mas todas as músicas foram feitas a partir de um riff de guitarra seguidos de feeling da banda em por intensidade e ritmo e por fim as letras geralmente feitas na hora. Nada foi muito premeditado e sim sentido.

Lançar um disco cheio é sempre umas das primeiras metas de uma banda. Vocês conseguiram isso com louvor. O próximo passo seria lançar a versão física e de repente se aventurar numa turnê Brasil à dentro e a fora?

Marlon: A versão física já foi encomendada, mas a fábrica fechou no meio do processo. Agora estamos esperando um retorno da empresa contratada. Estamos no meio de uma tour agora que passou por SC, PR e SP. Ano que vem queremos muito dar uns roles maiores tipo RJ, MG, RS quem sabe.

Ter um selo como representante da banda, no caso de vocês a Nuzzy Records, tem sua importância. Isso dá mais respaldo, por assim dizer?

Marlon: Muito provavelmente sem a Nuzzy Records essa entrevista não estaria acontecendo. Com certeza a atuação do selo foi e está sendo fundamental pra divulgação do nosso trabalho. Sem falar na ajuda durante o processo de decisão das datas de lançamento e tudo mais. Eu particularmente espero que todo mundo cresça junto e que essa parceria dure uns bons anos!

Diogo: Fica mais fácil e centralizado para conseguir shows, correr atrás de sites e blogs. Todos têm seus deveres pessoais, como trabalho e estudar, assim não conseguiamos focar na banda. Entrando para um selo fica um pouco mais fácil, mas não tira nossa responsabilidade. O melhor de tudo é estar perto de alguém que curte a banda, que sempre acompanhou nossa banda. Assim não fica algo apenas como Selo- Banda, mas rola amizade por trás disso tudo.

Por último, costumo pedir pra indicar uma banda nacional e uma gringa. Manda umas dicas aí

Gabrielle: The Joy Formidable e Letrux.

Marlon: A minha nacional favorita é Terno Rei já faz um tempo mas eles já estão muito hypados todo mundo conhece. Uma banda que tá vindo com um som muito forte também e que dividiu palco conosco por três vezes já é a terraplana de Curitiba. Indico forte pra quem curte Slowdive e My Bloody Valentine. Inclusive deixo o nome deles aqui como uma sugestão de pauta pra vocês haha. Rapidamente, outra que queria indicar é a Wolken pra quem curte dream pop e é isto. Já pra banda gringa eu indicaria Hovvdy. To ouvindo bastante agora. Bem calminho e bem lindo.

Lucas: Bandas nacionais: homeninvisivel e Wolken Bandas gringas: Él Mató a un Policía Motorizado e And So I Watch You From Afar

Diogo: Brasileira: Bonfim e a extinta Sodacaffé. Já uma gringa seria Sunny Day Real Estate ou Badbadnotgod.


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