26 de agosto de 2018

Resenha » Jonathan Tadeu - Sapucaí (2018)

O representante brasileiro do rock triste, o Jonathan Tadeu, deu as caras novamente com suas produções caseiras dessa vez lançando "Sapucaí", o sucessor de "Filho do Meio" (2017).

Por trás do disco há histórias a serem contadas. "Sapucaí é uma rua de Belo Horizonte que liga os bairros ao centro da cidade...Essa rua é o cenário principal das 10 canções em que Jonathan discorre sobre os valores da amizade em tempos de desesperança. O tom confessional permanece, mas dessa vez a luz é mais voltada para as pessoas que cercam o compositor."

Para dar vida a esses contos Jonathan procura variar o tom do disco. Logo no início Réveillon traz uma melodia slowcore justificando o título de embaixador do rock triste que eu acabei de dar a ele. Contraste isso com a guitarra corrosiva que toma conta de Março e Nome Sujo, uma faixa temperamental, que difere do lado intimista de Conta Comigo

"Você sabe que cedo ou tarde alguém vai se ferir.
O difícil é saber quando se estamos no mesmo lugar. E nos amamos tanto"
Jonathan Tadeu - Conta Comigo

Em Interlúdio Jonathan recita aquilo que lhe circunda.



Gravar um disco em casa você fica livre de obrigações, é você quem dita as regras e se sente livre para explorar vários recursos. Jonathan Tadeu buscou inspirações eletrônicas para modificar o ritmo do disco como em Rihanna, a faixa, transformando ela numa canção dançante e em Anos 2000 carregada de uma atmosfera futurística.

Ainda nessa vibe eletrônica temos Vamo Marcar de Sair feita para deixar a pista de dança movimentada e Só Deus Sabe com batidas mais melancólicas e frias. Vozes gravadas se entrelaçam a mistura de sons e ruídos espaciais em Último Gás encerrando o disco de forma despojada e alegre.

Em "Sapucaí" Jonathan Tadeu mostra que o rock triste pode ser barulhento e melancólico ao mesmo tempo e que nas vielas eletrônicas encontra-se um bom caminho para reproduzir suas inquietações.