19 de maio de 2018

Resenha » Manoel Magalhães - Consertos em Geral (2018)

Manoel Magalhães é um cantor que precisava ser (re)descoberto não só por quem não associou ele como vocalista da banda Harmada que findou com seu ótimo disco "Música Vulgar Para Corações Surdos", mas também por aqueles que desconheciam a figura do músico.

"Consertos em Geral" é um nome apropriado para o primeiro disco solo do músico que entrega algo que soa popular Brasil à dentro sem apelos para não soar demagogo. Manoel fez disso um momento para expor seus recortes musicais de forma singela valorizando cada elemento sonoro que compõe sua música.

Seja na sanfona e violino para representar um suposto regionalismo no início de Hoje Eu Não Sei e em Domicílio, na guitarra para saltar a veia roqueira na faixa Espelho e Quando Ela Quiser ou na melancolia de Fica que nos faz lembrar levemente um Wilco. Magalhães entrega um disco honesto que referencia facetas da música bem como da vida com letras que parecem familiares a nossa vida.



Essas peculiaridades encaixadas no disco faz ele soar agradável. Basta ouvi como o saxofone surge complementando o clima melancólico de Pra Gravar Na Sua Secretária Eletrônica. Azar e a sequência com Campos trazem aquele ar mais alegórico e roqueiro que remete aos trabalhos anteriores do cantor.

A última faixa é Tudo Que Não For Agora e nela Manoel mostra uma canção suave trilhando caminhos bucólicos concluindo o registro de forma digna.

"Consertos em Geral" é um disco cativante conduzido pelo timbre grave de Manoel Magalhães, um romântico à moda antiga, que cantarola seus versos de um jeito cadenciado para sermos capaz de entendermos as letras e os sentimentos por trás delas.

"Sem tempo não existe amor 
sem fé não existimos os dois 
sem você eu não consigo acreditar 
no futuro, na força de gostar"

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