terça-feira, 3 de abril de 2018

Entrevista: Old Books Room

A Old Books Room é uma banda cearense que está na atividade desde 2011. O grupo é formado por Ricardo Ferreira (voz e guitarra), Reinaldo Ferreira (guitarra), Diego Fidelis (baixo), Davy Nascimento (bateria) e Felipe Portela (sintetizadores).

Os caras ajudam a fomentar a cena independente local entregando uma sonoridade que pincela vários segmentos dentro do rock. O sonhado primeiro disco veio em 2014 com o "Songs About Days". No ano seguinte veio o EP "The Last Angry Boys In Town". Hoje eles estão divulgando o novo EP da banda chamado "Where Do The Wild Dogs Live?" lançado via Dinamite Records.

O Música Café conversou com Reinaldo Ferreira que falou sobre a banda e o novo trabalho deles. Confere aí.



Qual a identidade sonora que a banda criou e vem criando desde então? Reflete o que vocês andam escutando? Falem um pouco sobre as origens do grupo.

Bem, achamos que tudo o que vamos escutando reflete sim em nossa forma de pensar e de trabalhar as músicas, mas sempre de uma forma indireta. Como costumamos falar, é meio complicado definir uma identidade sonora fixa para os nossos trabalhos porque gostamos de explorar novas texturas, mas o que é realmente impressiona na arte de se fazer música é que o nosso público consegue sim identificar o nosso som, por mais diferente que ele possa parecer de acordo com os trabalhos. Somos uma banda de várias influências. Eu, Reinaldo, e meu irmão Ricardo, os principais compositores da banda, fomos quase sempre voltados para o som alternativo dos anos 80, 90, 2000. Escutamos muito Nirvana, Smashing Pumpkins, Slowdive, Ride, o movimento grunge, as bandas anteriores, Sonic Youth, Dinosaur Jr, Pixies, bandas dos anos 2000 como Interpol, Placebo, Foals. Já os outros integrantes sempre flutuaram em outros sons, o Diego, baixista, se liga mais nos sons e bandas psicodélicas, o Davy, baterista, curte um som mais pesado, voltado pro metal, já o Felipe, nosso cara dos synth, gosta mais de jazz e outros estilos mais. Esse conjunto de influências é fundamental pra fazer o nosso som ser o que é hoje.

A banda já lançou o primeiro disco cheio em 2014, "Songs About Days", e acaba de lançar um novo EP, "Where Do The Wild Dogs Live?". Porque não um segundo álbum?

Na verdade, este segundo EP, "Where Do The Wild Dogs Live?", já era um projeto antigo que refletia o momento em que vivíamos lá para o final de 2015 e início de 2016, que só foi concluído e lançado neste ano de 2018. Refletia uma fase de experimentação do grupo, não qual estávamos em processo de mudança, sem baterista, e trabalhávamos um formato mais "eletrônico", e foi um momento criativamente muito interessante pra banda. Não podíamos deixá-lo de lado, resolvemos então lançar algumas músicas neste formato, que difere bastante do nosso formato "ao vivo" por exemplo. Já estamos em fase de pré-produção do que virá a ser sim o nosso segundo álbum. Quem vai ao nossos shows já pode conferir algumas músicas que estarão neste novo trabalho.



Por falar no novo EP senti que vocês quiseram emplacar características diferentes em cada música o que é legal para um ep de três faixas, pois confere mais detalhes ao pequeno registro. Como se deu o processo de criação e o porque desse nome "Where Do The Wild Dogs Live?"?

Por se tratar realmente de um registro pequeno, com apenas três músicas, resolvemos apresentar várias características voltadas pra este novo formato que apresentamos neste EP. Queríamos que ele soasse mais "leve", que refletisse outras características não tão exploradas nos primeiros trabalhos, que mesmo assim, somasse de forma poderosa em nossa pequena discografia. Todas as músicas foram compostas pelo Ricardo, Saving Smiles por exemplo, é uma música que já tem mais de 10 anos. Sempre pensamos em trabalhar com os samples de bateria eletrônica para este projeto, porque esse é o conceito chave do EP. Exploramos também o uso dos synths ainda mais que no ep anterior, "The Last Angry Boys In Town", guitarras foram balanceadas novamente com as modulações. Bebemos muito na fonte de estilo como dreampop, new wave, e até no rock industrial. Já para o nome, pensamos em algo que "soasse" enigmático, além de refletir numa piada interna dentro da banda, acho que no fundo, todo mundo se parece com um cão selvagem que vive perigosamente nas ruas sendo pouco notado.

O vídeo lyric de "Bag Of Bones" ficou muito legal. Particularmente é minha faixa preferida do EP. Conta mais sobre a produção dele.

Sempre acreditamos no estilo DIY de se produzir. Mesmo quando a grana tá curta, o importante é fazer, mais importante ainda é se trabalhar na ideia, no conceito.  Para o "faça você mesmo" é preciso coragem, e sempre fomos fiéis representantes dessa perspectiva. Nós mesmos produzimos, filmamos, e editamos o clipe de Bag Of Bones. Pensamos em tentar criar um "lyric vídeo real" explorando alguns lugares do centro de Fortaleza. Em nosso clipes fica claro a nossa relação com a nossa cidade natal, até com o bairro onde crescemos. Tentamos ser o máximos possíveis suaves nas transições e cortes das imagens no clipe, explorar um lado calmo diante do caos da metrópole. E curtimos muito o resultado apresentado. Foi feito com muito carinho e amor.



Hoje em dia a forma como consumimos música mudou muito e o streaming é sem dúvidas a bola da vez. Porém é comum artistas independentes liberaram no Bandcamp, por exemplo, o download gratuito e vi que vocês optaram por não liberar o novo. Isso parte da banda ou da gravadora? O download gratuito não daria, de certa forma, um alcance maior a banda?

Como estávamos conversando com a galera do Dinamite Records pra fazer o lançamento deste novo trabalho em conjunto. Já havíamos hospedado o EP no Bandcamp fazia algum tempo para ser explorado com o trabalho junto a imprensa. Também acreditamos no download gratuito e vamos liberá-lo a qualquer momento por lá. O importante sim é fazer a música rodar nesse primeiro momento, e estamos nos esforçando muito pra isso. Ficamos felizes com a primeira recepção do público para este novo trabalho. Quantas mais ferramentas ele estiver inserido, seja em plataformas streaming ou não, mais possibilidades de alguém acabar escutando-o.



Algumas bandas daqui do Ceará migraram pro eixo Rio-São Paulo talvez para alcançarem mais visibilidade. A Old Books Room pensa em mudar pra lá um dia?

Ano passado fomos pela primeira vez pra São Paulo e curtimos bastante nossa primeira tour por lá. Vários amigos e contatos antigos chegaram aos shows, conhecemos muitas pessoas interessantes e foi uma experiência importantíssima pra todos nós. Temos sim esse desejo, mas ainda estamos nos articulando por aqui pra fazer ele acontecer, ainda temos muitos passos a dar e é fundamental preparar uma transição tranquila. Por enquanto pensamos em tocar com mais frequência nesse eixo sim.

Por último, poderia indicar pra nós dois lançamentos sendo um nacional e um internacional?

Claro que sim! Admiramos o trabalho de muita gente por aí. E devido ao trabalho articulado em parceria com a Mutante Radio, na qual somos produtores e apresentadores, esses últimos tempos estamos escutando muitas bandas nacionais independentes fantásticas. Difícil até indicar apenas um lançamento, mas indicarei um som que saiu esses dias, a banda se chama Homenivisivel de SP, acabaram de lançar um EP de estréia chamado "Formas Negativas". Está sensacional, escutando incansavelmente, pra quem curte um noise, shoegaze, vai se amarrar. Já para o lançamento internacional, vou indicar algo que não é bem um lançamento mas é outra banda que venho escutado com muita frequência. A banda se chama Thrice e lançaram seu ultimo novo trampo em 2016, o álbum se chama "To Be Everywhere Is To Be Nowhere". A banda tinha dado um hiato mas voltaram este ano e já tem data marcada para passar pelo brasil.

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