2 de março de 2018

Resenha » GUACHE - O Que Vem (2018)

Ouvir dois sujeitos brasileiros reproduzindo um post-punk minimalista é imaginar o país sendo coberto por uma névoa densa que deixa todo o território as escuras, pra não dizer claustrofóbico.

Exagerei em dizer todo esse Brasil. Mais precisamente o Rio de Janeiro que fica coberto por essa atmosfera tudo isso graças ao duo carioca GUACHE formado por Luciana Melo e Gil Fortes na estréia da banda com o disco "O Que Vem." O conceito do álbum está inserido num plano noturno onde as notas parecem galgar friamente por uma cidade pintada em preto e branco.



Talvez isso simbolize esses tempos obscuros em que vivemos. Se esta era uma pretensão por trás do registro, a estética do disco consegue refletir bem isso. O que dirá as letras de Mundo Dividido e Cidade Suja! Numa ligeira alusão, a sonoridade do grupo remete muito o que faz o The xx principalmente no primeiro disco da banda e o Nosso Querido Figueiredo.

É como se a mpb assumisse características do post-punk, trip hop e darkwave, por exemplo, numa roupagem gringa, mas com brasilidade. Nada sai do prumo. O trabalho harmonioso do conjunto, guitarra, baixo, synths, bateria eletrônica e vocais confabulam uma melancolia que se perpetua pelo disco de clima frio, seco, paralisante, silencioso conduzido por vozes lânguidas.

"O Que Vem" é um acerto e tanto da GUACHE. Simples, mas profundo e real!


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