18 de agosto de 2016

Resenha » Wild Beasts - Boy King (2016)

"Boy King" novo disco do Wild Beasts pode ser resumido como o lado avesso da banda levando em conta o início de sua carreira. As referências eletrônicas anunciadas nos singles Get My Bang e Celestial Creatures, que antecederam o lançamento do disco, não é novidade já que desde seus últimos dois trabalhos, "Smother" (2011) e "Present Tense" (2014) tais elementos já pareciam dar um rumo paralelo ao grupo.

Se era algo apenas paralelo, opcional, "Boy King" veio transformar isso em um único caminho de altos e baixos. Desta vez o perfil eletrônico do Wild Beasts está em evidência e de forma mais pretensiosa buscando causar uma impressão mais dançante do grupo acentuada pelos falsetes insinuantes do vocalista Hayden Thorpe.



O tal art rock que girou em torno do Wild Beasts em "Limbo, Panto" e "Two Dancers" se transformou em um tal art pop escancarado movido por synths que pronunciam o lado dançante do grupo, algo que "Present Tense" vinha nos preparando para chegar na realidade de hoje. O problema é que o anterior disco parecia ter também uma mensagem implícita de que não era necessário ir além disso para soar diferente do que já foram e continuar fazendo bons álbum. Até aqui estaria bom.

Extrapolar certos limites seria arriscado e nesse caso o Wild Beasts não mediu esforços para soar mais eletrônico que antes, tentando disfarçar com sua virtuosidade qualquer efeito que pudesse ser encarado como tendencioso, mesmo não sendo possível camuflar isso sempre. O resultado é um disco mediano que pode fazer você dançar sem saber se está gostando ou não.