Entrevista: Subcelebs | MÚSICA CAFÉ

sábado, 20 de agosto de 2016

Entrevista: Subcelebs

Alinne Rodrigues, Igor Miná, Eric Catunda e Nyelsen B são as subcelebridades da vez aqui nos arredores de Fortaleza. Eles formam a Subcelebs, banda que lançou ano passado seu primeiro EP, homônimo, um registro de quatro ótimas faixas esbanjando um pop cheio de distorções e ruídos.

O Música Café aproveitou a vizinhança e entrevistou o guitarrista Igor Miná acerca da banda, do primeiro EP, da cena em Fortaleza, dos serviços de streaming e outras coisas mais. Confere aí abaixo. Desde já gratidão e sucessos a banda.

MC: Como vocês se definiriam?

Igor: Indie pop com um pouco de noise.

MC: Vocês começaram a carreira como Telerama e depois que a banda acabou você e a Aline começaram um projeto chamado Banda Desenhada logo após veio a Subcelebs. O que mudou desde a Telerama para a atual Subcelebs?

Igor: Na época da Telerama, a gente era muito novo e, como todo mundo que começa a fazer música, ainda estava descobrindo que tipo de som queria fazer. Por isso a Telerama tem músicas que se encaixariam até em gêneros diferentes se a ideia é classificar. Com a Banda Desenhada, a gente mergulhou no twee pop e chegou a entrar em coletâneas internacionais com bandas do estilo. Agora, mais de dez anos depois de termos começado a tocar, continuamos gostando de fazer música bem melódica e assobiável, mas quisemos trazer pra Subcelebs uma sujeira que os outros projetos não têm e, apesar de continuarmos compondo em português, nosso som têm cada vez menos elementos tipicamente brasileiros – ou essas influências agora aparecem de forma menos óbvia, mais diluídas. E estamos mais leves nas temáticas. Estamos mais preocupados em nos divertir compondo e tocando.

MC: A cena independente no Ceará mudou muito pra vocês ao longo do tempo? Há movimento?

Igor: Sim. E há muito movimento, vindo de todos os lados, o que é ótimo. Hoje a gente tem um estúdio e um selo, a Mocker Discos, e já lançou vários novos artistas diferentes e muito legais. Estamos envolvidos também em diferentes iniciativas voltadas ao fortalecimento do mercado de música local, como o Projeto Circuladô e a Musicoletiva.



MC: Vocês se arriscariam a participar em um desses programas de televisão como o Superstar? O que pensam sobre ele?

Igor: Não. E acho que nem seja questão de arriscar, mas de ter interesse ou não no que o programa traz. Pra gente, esse modelo de mega-astro, lançado por major e com música na novela, já não faz muito sentido. Já faz muitos anos que a gente consome prioritariamente música independente, feita por artistas pequenos lançados por selos pequenos, mas com carreiras perfeitamente sustentáveis. É nisso que a gente acredita e se foca hoje.

MC: Há uma discussão a cerca dos serviços de streaming e a remuneração dos artistas. Como vocês encaram o uso desses serviços?

Igor: Nós achamos ótimo que eles existam, porque colocam na mesma playlist artistas independentes e artistas consagrados, ao contrário de plataformas específicas para artistas indies, como o Bandcamp e o Soundcloud – que, claro, têm o seu valor, tanto que também disponibilizamos tudo por lá. Sobre remuneração, muito dessa polêmica parte de artistas enormes, que surgiram em outro momento da indústria ou se encaixam no modelo tradicional, como o Radiohead. Realmente, ganhar frações de centavos por play é pouco para quem estava acostumado a ganhar muito mais do que isso com execuções em rádio e TV – mas não essa nunca foi nem será a realidade de artistas independentes, então não vejo muito sentido em se rebelar contra isso quando se é um desses artistas. Os benefícios de estar nesses serviços são maiores do que as perdas. Por outro, é sabido que todos esses serviços operam no vermelho, com muita gente investindo esperando um dia ter retorno. Se mais pessoas optassem por assinar os serviços, esse retorno seria mais rápido para os artistas, selos e investidores. Acho que o maior desafio para todos ainda é fazer o público da era digital entender que é importante pagar por música.

MC: No EP que vocês lançaram o som está bem mais garageiro, cheio de ruídos, despojado, diferente do pop chiclete de antes. Pode citar algumas referências do EP? Como foi a criação?

Igor: Pavement, Pixies, Yuck, Yo La Tengo… Enfim, bandas velhas e novas que não ligam muito se o som está caseiro demais ou distorcido demais. Limpeza, definitivamente, não é uma das prioridades da Subcelebs. O EP foi todo produzido no nosso estúdio, o Mocker, que é também a nossa casa. Bateria, baixo, synth e as bases de guitarras foram feitos ao vivo, porque queríamos essa atmosfera. Depois complementamos com os vocais e overdubs de guitarra.

MC: Indica aí pra nós dois lançamentos desse, um nacional e um internacional.

Igor: Eu indico o do Kurt Vile, "b'lieve i'm goin down" e o "Paraleloplasmos", do Lê Almeida.

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