11 de maio de 2016

Resenha » Jonathan Tadeu - Queda Livre (2016)

A carreira solo do Jonathan Tadeu, ex membro das bandas Quase Coadjuvante e Lupe de Lupe, começou despretensiosamente em alta quando ele lançou seu debut, "Casa Vazia", ano passado rendendo boas críticas ao músico - inclusive ele foi um dos destaques na lista dos Melhores do Ano aqui no blog.

Não demorou muito para que o mineiro continuasse suas andanças pelas beiradas musicais e chegasse a seu segundo disco chamado "Queda Livre" ainda com o simples pensamento de cantar e tocar sobre sentimentos. Se "Casa Vazia" apresentava algo de esperançoso com picos de alegria podemos dizer que "Queda Livre" é o contraponto entristecido do Jonathan Tadeu expresso nas letras e melodias. A faixa que inicia o álbum, Quase, é um registro honesto de um romance que não vinga mais e dar lugar ao desabafo mediante uma guitarra visceral que ajuda a externar aquilo que está preso por dentro.

"Eu juro por deus
Que eu me esforço
Mas não posso deixar você
Esperando a saudade nascer em mim." 

Consciente de que usa a música como um instrumento de reflexão, Jonathan filosofa sobre relacionamentos quando diz em Ninguém Se Importa: "Sozinho eu faço tanto estrago. Com você é que eu durmo em paz. E já são tantas noites que eu nem sei se isso que a gente tem é conforto ou conformismo." Introspectivo, o músico segue meditando sobre si mesmo e seus feitios de forma sorrateira embalado por uma guitarra que ressoa harmonicamente à sua frente em Diana Ross que, curiosamente, cita outra faixa do músico, Whitney Houston, do álbum "Casa Vazia".



A faixa que talvez seja a mais lamuriosa introduzida com uma melodia sadcore é Queda Livre que rasteja em sua metade e depois dá gritos de desesperos com os riffs de guitarra. O que vem na nossa mente é que Jonathan Tadeu se passa por um romancista que após um rompimento se martiriza ao relembrar de diálogos e encontros passados tal como registrados na sequência com La Greppia e Sorriso Besta. Outro momento em que a melancolia é acentuada é na faixa Bastardo de uma estrofe só. 

O lampejo de sobriedade fica marcado em pouco menos de um minuto na faixa Amour de mensagem simples, porém poderosa: Mesmo que eu nunca acorde desse sonho ruim Eu te amo até o fim. Apesar de tudo o desapego é uma ação emergencial que Jonathan Tadeu prefere não tomar ainda, do contrário, age de forma passional ao insistir em um desejo errado em Ato Falho. Não restam dúvidas que "Queda Livre" trata-se de um disco sentimental onde seu criador traça uma história divididas em 10 partes e aponta para algo pessoal na última música O Mundo É Um Lugar Bonito e Eu Não Tenho Mais Medo de Morrer onde, através do recurso spoken word, Jonathan parece resumir um pouco de sua vida.

Com uma sonoridade lo-fi que relembra os anos 90 da guitarra do Yo La Tengo a melodia da Carissa Wierd, Jonathan Tadeu explora o poder de suas composições para fazer um disco honesto onde a música final reflete com dignidade aquilo que se sente e o que se pensa em alta qualidade.

★★★★☆

"Queda Livre" foi lançado ontem dia 10 de Maio.

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