Resenha » Deakin - Sleep Cycle (2016) | MÚSICA CAFÉ

domingo, 10 de abril de 2016

Resenha » Deakin - Sleep Cycle (2016)

Para uma banda ou estilo que você não costuma ouvir muito ou de repente não lhe soou bem no primeiro contato, costuma-se sugerir ir aos poucos, ouvindo talvez o disco mais acessível daquela banda que não tenha agradado de início ou que não tenha tanta complexidade. Sobre isso, o Animal Collective é uma banda que costuma dividir opiniões pela estética pouco habitual de suas músicas ditas experimentais que fogem da normalidade.

Caso isso aconteça, uma boa opção é começar a conhecer a banda através de seus próprios músicos e seus trabalhos individuais. Escolha primeiro o trabalho do Noah Lennox como Panda Bear, vide o disco lançado ano passado "Panda Bear Meets the Grim Reaper" e deixe por último o trabalho solo do David Portner como Avey Tare. Uma outra sugestão, e boa por sinal, é ouvir outro personagem da banda, Deakin.

Joshua Caleb Dibb ou simplesmente Deakin, como ficou conhecido junto a sua banda, lançou oficialmente em 08 de Abril seu primeiro disco, "Sleep Cycle", algo que podemos chamar de: uma introdução ao Animal Collective.



De modo objetivo, o músico cria um folk com raízes experimentais extraindo nutrientes do Animal Collective para compor os arranjos disformes das músicas. No início, apesar de ser um ótima canção, Golden Chords, mira no AnCo, mas acerta no folk pop do Sufjan Stevens, tanto na melodia como na voz, nos fazendo lembrar do aclamado "Carrie & Lowell" lançado ano passado. É porém em Just Am que o segmento experimental, cheio de emaranhados sonoros, se espalha em oito minutos de duração pincelando um mosaico do AnCo bem a nossa frente.

A peculiar esquisitice no estilo fica por conta de Shadow Mine, um prelúdio de vozes deformadas. Os improvisos e sobreposições psicodélicas de Footy nos fazem dar um passo maior adentrando ao labirinto experimental de Deakin. Logo depois em Seed Song, o músico cria um ambiente que nos remete a um pântano cheio de ecos e barulhos quase indecifráveis. A derradeira e última música, Good House, tem seu background um freak folk cheio de ruídos enquanto a voz de Deakin aparece mais limpa sem tantas interferências. 

Em apenas seis músicas, Deakin nos proporciona uma boa experiência de ouvir o folk deformado, heterogêneo, onde toques eletrônicos criam camadas desniveladas que desafiam a concepção de um som harmônico. Seu debut nos dá a oportunidade de compreendermos melhor a essência de algo puramente experimental como a alma de sua banda, o Animal Collective.

Nota: ★★★★☆

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Editado Por Moisés Lima | Tecnologia do Blogger
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