28 de abril de 2016

Entrevista: Bia e os Becks

A terceira entrevista que acontece no Música Café é uma banda que já apareceu aqui no blog como indicação, a Bia e os Becks de Teresina - Piauí. Na ocasião eles tinham recém lançado seu primeiro EP chamado "Conto Amor trazendo uma mistura de mpb e soul com uma pitada de regionalismo.

Esse ano a banda apresenta seu mais recente EP "Todo Lascado" com quatro músicas inéditas e download gratuito. O Música Café entrevistou o guitarrista Mário Araújo que falou um pouco sobre a sonoridade do grupo, produção do novo trabalho e da cena piauiense. Confira logo abaixo.

MC: Como surgiu a Bia e os Becks? E de lá pra cá como vocês se enxergam hoje? Mudou muita coisa?

MA: A banda surgiu em 2012 em Teresina, ela foi fruto (como não poderia deixar de ser) da união de amigos em comum que já tocavam em outras bandas da cidade, no caso o Ramon Rodrigues (baixo), Rafael Franco (percussão), Mário Araújo (guitarra) e a Bia, que acabara de entrar nesse mundo de bandas e música, no sentido de ter banda e fazer shows. A Bia tinha algumas músicas de sua autoria e me convidou pra fazer alguns arranjos pra ela que iria se apresentar num sarau de poesia...e a partir daí foi um pulo pra gente inserir o Rômulo Vieira (bateria) pra fechar o time e começar a amadurecer a ideia. De lá pra cá a banda já mudou de baixista duas vezes, o primeiro foi o Luiz Wagner, que nem chegou a fazer um show mas teve papel importante por ter gravado os baixos do nosso primeiro EP/demo “Conto Amor”, e atualmente temos o Lucas Coimbra nesta função. Além disso após o resultado do nosso segundo EP inserimos o Cássio Carvalho nos teclados. Hoje somos uma banda mais madura, mas que ainda é bem jovem e está aprendendo bastante com os caminhos da vida haha.

Ouça a faixa "Ressaca" do EP "Conto Amor"

MC: Normalmente bandas que lançam um EP demonstrativo partem, logo em seguida, em busca de lançar o primeiro disco cheio. Vocês, porém, preferiram lançar outro EP. Porquê? Esperam um momento ideal pra lançar o primeiro álbum?

MA: O primeiro EP na verdade é bem mais como uma demo, ou um teste de como a banda poderia soar. Eramos bem imaturos musicalmente e no fim das contas é um trabalho que hoje sinto que poderia ter sido bem melhor explorado em termos de arranjos e timbres. Mas enfim, esse não é o motivo principal por rolar o lançamento de um segundo EP, o motivo principal é: falta de grana! hahaha É bem mais fácil produzir um disco hoje em dia, claro, mas ainda precisamos da grana pra isso....e geralmente não é barato. Então resumindo, dois motivos para lançar um segundo EP: a banda está mais consistente e a sonoridade melhorou consideravelmente em relação ao primeiro o que nos fez optar por lançar como algo novo, e segundo: ainda estamos levantando recursos pra um full album hehe

MC: Apesar da proposta da banda de se enquadrar na dita nova roupagem da mpb eu diria que existe algo a mais. Talvez alguma coisa de soul, funk e até um pincelada no jazz tanto nos vocais como nas melodias. Ouvindo o novo EP "Todo Lascado" essas referências pareceram mais presentes. É por aí o caminho?

MA: Sim! Você está corretíssimo. Isso tudo faz parte de nossas influências em geral, claro. Acho que esse é o ponto central do nosso trabalho e de tantas outras bandas, justamente essa mistura, esse passeio por tudo que nos toca de alguma maneira.



MC: Os arranjos das faixas estão bem enriquecidos e mostram a versatilidade da banda bem como reflete a boa produção. Sobre isso, como foi a produção do EP?

MA: O EP foi produzido por nós junto com o João Paulo Araújo, o nosso “sétimo beck” hahaha, inclusive tem o dedo dele em algumas composições como Ardor Amor em parceria com a Bia e Síndrome de Câncer que é de autoria dele. As composições vieram de várias formas... Ardor Amor era só voz e violão, ganhou toda aquela cor com os arranjos do Lucas Coimbra, Burlesca já rolava em alguns shows mas com aquela sessão de metais feita pelo arranjador Wiltenberg Rodrigues a música ganhou imponência e a sofisticação que ela sugere, é sem dúvidas uma das minha favoritas. Síndrome de Câncer também já rolava ao vivo e foi a que menos sofreu mudanças em relação a estrutura, mas ganhou muito em timbres e riffs de guitarra, linha de percussão e bateria.... além dos emblemáticos “hm, que foi bicha?” e “valheu valheu” que rolaram durante as gravações e a gente resolveu manter hahaha... Já Trejeitos é um tributo a nossos amigos da banda Alcaçuz, que encerrou suas atividades este ano aqui em Teresina, é de autoria do brother Pedro Ben e é sem dúvidas uma banda que merece ser ouvida. Nela fizemos um lance mais eletrônico com muito teclados, sintetizadores e bateria eletrônica além de transformar a letra, antes um monologo, em um diálogo entre um casal. No geral ficamos muito satisfeitos com o resultado final de tudo, e com certeza é por esse rumo que todos os nossos futuros trabalhos devem seguir.



MC: É natural que toda banda queira ter seu trabalho reconhecido seja por muitos ou por poucos, porém fiéis seguidores. Qual tem sido o impacto das redes sociais e as plataformas de streaming sobre a banda?

MA: O impacto está sendo o melhor possivel! Percebemos que os novos ouvintes estão cada vez mais se interessando pela banda e aparecendo mais nos shows, os nossos amigos/fãs/seguidores mais antigos também sentiram uma evolução natural no som da banda e continuam nos apoiando cada vez mais. Isso tudo se reflete nas performances, pré-produção de shows, nossa presença nas midias locais de maior alcance como rádio e tv e no nosso sentimento de dever cumprido :)

MC: A cena local é favorável para música autoral ou o eixo sul-sudeste parece mais promissor?

MA: Ai chegamos num ponto bem delicado hahaha este é um assunto recorrente e até saturado nos debates dos músicos de Teresina, mas acredito que seja também em diversas outras cidades. Bem, ainda há muito o que se fazer em nossa cidade em relação a formação de público, jornalismo cultural, e o próprio amadurecimento das bandas. Produção é o que não falta, mas parece que tudo é meio mal aproveitado...Não acredito que o eixo sul-sudeste seja mais promissor, na verdade deve ser bem mais dificil! Imagina a quantidade de bandas boas, muito boas mesmo, disputando a atenção de um público que a cada dia é cada vez mais bombardeado por tantas músicas de tantos lugares...acho que o lance é mudar o nosso cenário e faze-lo crescer... a gente percebe uma efervescência em São Luís, Recife, Natal o lance é saber o que falta na nossa cena pra termos produções ao nível dessas capitais vizinhas. Mas acredito que uma coisa é certa: devemos começar pelas pessoas.

MC: Pra encerrar, indique duas ou mais bandas do Piauí para nós.


...e milhares de outros mais que iam dar duas páginas se postasse tudo aqui, obrigado!



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