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terça-feira, 22 de março de 2016

Resenha » Baleia - Atlas (2016)

A famosa síndrome do segundo disco é justificada quando a banda lança um primeiro trabalho maravilhoso, livre de qualquer expectativa criada vinda de fora, trazendo aquele gostinho de algo despretensioso e logo depois, quando vem o segundo, já com a perspectiva de vir algo bom, nos deparamos com um disco abaixo do esperado e, ao invés de confirmar o boom criado no começo, a decepção é o sentimento que prevalece após a desaprovação.

E sobre isso posso dizer que a banda Baleia passou com êxito em seu segundo registro, "Atlas", quase três anos após lançar seu debut, "Quebra Azul". Dois singles, Volta Estrangeiro, antecederam o lançamento do seu novo disco e, se a primeira impressão é a que fica, a Baleia demonstrou não ter receio de continuar mostrando sua identidade, sem apego de gênero, aumentando ainda mais a ânsia de ouvi-los novamente.

A euforia bate em nosso ouvido logo de cara com a primeira faixa, Hiato, nos proporcionando um caleidoscópio pop e seus efeitos sonoros validando a pressuposição de um disco maravilhoso. Para a Baleia zona de conforto parece algo opcional, pois a reinvenção faz mais sentido do que andar num linha única mesmo que se consiga fazer algo de regular a bom e é ai que vemos em Duplo-Andantes a capacidade deles de criar algo que vai de um lapso psicodélico, a um rápido segmento regional alternando com a tal nova mpb de batida percussiva.



Não é à toa que sua sonoridade seja adjetivada como original. Triz (Ida) carrega um lirismo que parece vir de um período antigo, clássico ou medieval, transformando a música em algo teatral, encenado, onde os instrumentos modulam o tom grave impulsionando a banda para o ápice. A já conhecida Volta, pegando o embalo da anterior, tem um plano de fundo quase épico com tambores e bateria introduzindo a faixa para posteriormente o violino e guitarra engrandecerem o momento.

Até aqui chegamos na metade do disco que só tem oito faixas, a mesma quantidade do "Quebra Azul". Logo em seguida vem a outra prévia lançada, Estrangeiro, outro pilar colocado de forma bem estratégica no meio do disco junto a Volta. A faixa começa de forma descontraída o que pode nos enganar quando percebemos o rumo sério que ela vai tomando ao encontrar a harmonia de um instrumental polido criando cenários distintos.

Há mais caprichos e ambição em "Atlas" que o diferencia de "Quebra Azul". Talvez isso fique mais evidente nos efeitos das melodias, ambientações e na percussão que ganharam uma expressão maior vide a faixa Língua. Independente disso trata-se de duas obras acima de média que tornam o lado b brasileiro ainda mais atraente e esse ano o novo disco da Baleia tem uma bom participação nisso. A maneira como as músicas evoluem causam essa impressão como a melodia de Véspera que começa numa leva mpb, embalada pela voz de Gabriel Vaz, e se projeta num post-rock orquestral ao fundo sutilmente. A última faixa do disco, Salto, tem um elo com a primeira, Hiato, que interliga todo o disco com uma pegada mais frenética e uma carga roqueira mais precisa que deixa o álbum coerente do começo ao fim. 

As quatro primeiras faixas do disco é comandada pelos vocais de Sofia Vaz e as quatro últimas por Gabriel Vaz, curiosamento algo bem articulado que causa sensações diferentes. Ambos dão conta do recado incorporando o ritmo das músicas em seus vocais tornando elas ainda mais envolventes.

Se o "Quebra Azul" cumpriu bem seu objetivo de projetar a banda, "Atlas" é o salto da Baleia para a consagração com o potencial de alcançar um público ainda maior.

Nota: ★★★★★



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Editado Por Moisés Lima | Tecnologia do Blogger
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