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terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Resenha » Tindersticks - The Waiting Room (2016)

Uma das coisas que sempre acompanha os trabalhos do Tindersticks é a dedicação pelo detalhe e o perfeccionismo de vestir sua música da forma mais elegante possível. Se tiver que apontar um disco da banda que representa bem isso é o "Waiting For The Moon" (2003) não só porque é meu preferido, mas também pela excelência que o grupo alcançou nele.

Stuart Staples e companhia sentem a música verdadeiramente como uma arte, não menos que isso. "The Waiting Room", décimo primeiro álbum da banda lançado recentemente, é mais uma bela obra que, acima de tudo, é autêntica. Os singles que antecederam seu lançamento, Hey Lucinda e Were We Once Lovers? apontaram o rumo que o disco iria tomar: um caminho cheio de notas calculistas que prezariam a harmonia.

O disco inicia com Follow Me, um prelúdio guiado pela gaita. A faixa seguinte, Second Chance Man, começa de forma lamuriosa, mas que logo ganha uma nova aparência graças ao acompanhamento sonoro mais participativo. Talvez essa não tenha sido a melhor maneira de iniciar o registro, mas ainda bem que Were We Once Lovers? vem adiante endireitar as coisas de forma elegante e um tanto misteriosa que, em se tratando de Tindersticks, isso está nos conformes.



As linhas de metais que sempre foram usadas para enriquecer e dar mais sentimento as melodias dessa vez ganharam um sobressalto sonoro que faz Help Yourself pincelar um jazz escancarado a nossa frente. Pra nos aquietar, ou nos afagar, Hey Lucinda soa como uma canção de ninar cheia de pompa embalada pelo xilofone e um belíssimo dueto entre Stuart e Jehnny Beth da Savages. Um encanto! É esse tipo de canção que o Tindersticks é especialista.

Após sairmos de uma bela canção, o Tindersticks nos proporciona um momento mais pessoal para afogar as mágoas com a faixa instrumental This Fear Of Emptiness. Esse clima mais intimista e particular predomina no disco tal como nas faixas How He Entered, de melodia romântica quase orquestrada e um Stuart que parece narrar seus sentimentos, a faixa-título, The Waiting Room, destacada pela voz anasalada de Stuart e a melancólica Planting Holes conduzida pelo piano. Em We Are Dreamers!, novamente com a participação de Jehnny Beth, o Tindersticks preserva o ambiente noturno de suas obras e o tom sofisticado encerrando o disco em Like Only Lovers Can.

O Tindersticks foi exigente na concepção do "The Waiting Room" e isso acabou resvalando em nós deixando a intrínseca recomendação de ouvi-lo em um estado de espírito sossegado para sentir a real profundidade das músicas que o compõe. Ouvi-lo com o fone de ouvido maximiza nossa chance em entender a essência que o Tindersticks expressa por meio dele. No final, fica a sensação de termos tido uma noite fria, um tanto melancólica, escutando o Tindersticks tocar o chamber-pop dentro de um bar.


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Editado Por Moisés Lima | Tecnologia do Blogger
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