26 de novembro de 2015

Resenha » Adele - 25 (2015)

Quando começou a cantar Adele talvez não tivesse noção da dimensão que sua música, sua voz e suas letras alcançariam desde quebrar recordes de vendas de disco ao número de fãs ao redor do mundo. Se seu primeiro álbum, o "19", serviu para apresentar uma cantora de timbre poderoso envolvido em um soul afinado, bem centrado, o "21" e agora seu terceiro disco, "25", a colocaram no ápice da indústria fonográfica arrebatando corações dos ouvintes.

Se traçarmos uma reta e marcarmos os três discos dela em pontos é possível ver uma distância considerável do primeiro pro segundo e principalmente pro terceiro. Simples: "25" se distancia muito do "19" para continuar abraçando o público adquirido com o "21".

O primeiro single do disco lançado, Hello, sucessora de Someone Like You em termos de hit, veio confirmar a carga emotiva que o disco teria, porém deixou uma suspeita de que certas referências ao soul de antes iriam desaparecer aos poucos enquanto o pop apareceria com mais avidez para confirmar o ícone que a cantora se tornou. Aí está um paradoxo: se ao invés do "25", o "19" fosse lançado hoje como seria sua receptividade?! Talvez não fosse grande como é hoje pelo que o disco representa e seus moldes.



Mais um indício de que seu novo trabalho veio na forma do disco anterior é When We Were Young, segunda música apresentada, onde Adele segue pregando o amor acompanhada de uma melodia singela. Agora bastava esperar o disco sair para vermos que ela tinha feito mais uma obra que a manteria no estrelato pop.

O disco começa com Hello que ganhou um vídeo dirigido por Xavier Dolan e logo após vem Send My Love (To Your New Lover) destoar com improvisos eletrônicos nos arranjos e um refrão que se espelha no Coldplay forçando uma Adele divertida. Definitivamente uma música esquecível. O ar misterioso de Miss You tenta colocar a cantora no prumo, mas é When We Were Young que alcança o sucesso. A partir daí ela engata uma série de boas músicas. Remedy tem uma atraente dobradinha voz e piano. Water Under The Bridge, melhor música do disco, é aquela que afina o soul com o pop para formar uma canção de refrão poderoso, cantado em coro, capaz de levantar uma platéia inteira para acompanhar a música.



Talvez Adele tenho nos acostumado já no "21" a olharmos pra ela com o ponto de vista mais pop com melodias pomposas adornando suas músicas. É assim em River Lea. O timbre de sua voz contracena com o ritmo e se envolve no clima que a música vai tomando. A necessidade de elevar sua voz a um tom melódico para preservar o teor do disco é mais uma vez destacada agora em Love In The Dark.

Em Million Years Ago o ambiente acústico conduzido pelo violão deixa a cantora à vontade para cantar, aquela canção mais pessoal, sem interferência do mundo que ela está dominando atualmente. Com o lado sentimental aflorado, um das virtudes que tem cercado o sucesso da cantora, Adele compreende essa essência humana e muitas vezes é como se ela emprestasse sua voz para alguém contar seu (des)amor. All I Ask é mais uma que preenche o acervo de canções emotivas dela. Daí pra finalizar Sweetest Devotion traz uma Adele feliz cantando com a sensação de dever cumprido, de embalar os corações alheios com afagos. 

"25" com certeza não é uma unanimidade, mas toda a sua produção, expectativa em cima do disco, e o fator emocional que brada deixam Adele nos holofotes por mais um tempo. Somente uma coisa espero que não aconteça mais adiante: que ela não esfrie de vez o espírito soul que vociferou ano atrás.

Nota: ★★★☆☆

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Editado Por Moisés Lima | Tecnologia do Blogger
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