22 de junho de 2015

Resenha » Juliano Guerra - Sexta-Feira (2015)

Não restam dúvidas que a inspiração de um artista para a concepção de seu trabalho é algo particular e íntimo que vamos compreendendo sua plenitude durante a audição de cada detalhe que compõe sua obra final, o resultado da relação inspiração/mente do autor. E quando se trata de traduzir essa inspiração por escrito compondo as letras, para muitos, isso é um exercício que serve como terapia. Uma necessidade!

O músico gaúcho Juliano Guerra é um desses sujeitos de voz suave que viaja na sua música bastando apenas o primeiro dedilhar no violão para ele começar seu próprio momento terapêutico. A MPB é o solo em que Juliano planta suas letras, rega com melodias e colhe boas canções com enxertos do samba e com certo suingue do bolero . O disco "Lama" de 2012 foi seu primeiro fruto solo depois de participar de dois projetos, a banda de rock Revel e a Noesis de choro e samba.

Ele chega em seu segundo álbum chamado "Sexta-Feira", indicado aqui, carregando os mesmos traços do seu primeiro álbum aprimorando suas virtudes e preservando seus ideais. Logo no início da obra, a faixa homônima, mostra a união sincera entre a MPB e o samba e uma letra que homenageia um dos melhores dias da semana, a Sexta-Feira. Ouvindo Juliano Guerra tocar e cantar tranquilamente com as cordas do violão ressoando a cada dedilhar como em Um Hino é como imaginá-lo em seu quarto tocando para si mesmo debaixo de uma luz com a platéia observando no escuro.



É nessa zona de conforto e em seu espaço particular que Juliano adiciona um sutil piano para se afinar com o violão e pincelar um bolero maroto, algo mais pontual, sem mexer na essência que o disco carrega. Seu ritmo brasileiro tem momentos de maior requinte na melodia de Biografia que chega a ser uma canção mais charmosa de ouvir. Juliano se mostra um romancista inspirado na letra de Tanta Novela, uma das melhores do disco, ao dizer: "E o tempo parado a rir E já tu eras a janela Da qual olhava pra mim E ainda eras tão bela Mas logo punhas um fim No teu olhar obscuro Em que eu vi tanto futuro Inventei tanta novela. Um convite a apreciar a relação letra e melodia.

"A vida é muito rock 'n' roll" é o que começa a dizer Juliano na faixa Logo Vem um retrato cantado e irônico da vida real "cheia de caô." Vi Vir Veio é aquela faixa mais descontraída que nos convidar a sair da cadeira apreciando o cantor para nos mexer com um discreto arrasta-pé misturado ao compasso do samba puxado pelo tilintar do triângulo numa canção mais percussiva. O som delicado e sempre polido, 20 Cigarros Por Dia, é um característica forte do cantor que ele procura deixar em todas as suas músicas carregadas de sentimento como a melancolia que exala nas notas do acordeão em 1983. Para encerrar o disco, De Improviso pontua o samba como artifício que Juliano usa para soltar seus versos e prosas.

Em resumo, "Sexta-Feira" é um disco rico em palavras e de sons singelos. Outro bom fruto dessa nova safra da música popular brasileira que parece ganhar espaço cada vez mais.

Nota: 8,0


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