5 de março de 2015

Resenha » Purity Ring - Another Eternity (2015)

























Esse ano, o duo Purity Ring formado pela vocalista Megan James e pelo instrumentista Corin Roddick veio enfrentar o temível teste do segundo álbum lançando seu novo trabalho "Another Eternity" (clique aqui e ouça o disco). Esse momento de lançar o segundo disco vem carregado de uma certa empolgação em resultado de um bom início, mas como nem tudo são flores, a suspeita também nasce para nos deixar com um pé atrás nos privando de uma possível decepção, ou no mínimo nos levando a ter uma decepção consciente. Isso é até saudável.

O Purity Ring lançou "Shrines" três anos atrás com uma proposta de unir elementos da música eletrônica num ambiente dream-pop fazendo o pop funcionar sobre uma névoa sombria onde os beats e loops ecoavam junto ao canto de Megan James. Uma fórmula básica executada com eficiência que proporcionou um bom debut.

A ideia seria continuar na mesma linha, amadurecendo o som e quem sabe experimentar algo novo para evitar o fantasma da mesmice nos discos seguintes. O desafio procede e o duo canadense preferiu não sair de sua zona de conforto para firmar suas referências, uma vez estabelecidas em "Shrines". O problema é que dentro de seu próprio recinto o duo cedeu mais espaço ao pop solicitando-o com um apelo maior do que no disco anterior.


Logo de cara nas primeiras faixas do disco, Heartsigh e Bodyache, essa essência fica bem marcada nas batidas e nos vocais sendo pincelados por vestígios do dream-pop. Essa característica vinculada ao som da banda aparece agora de forma mais sutil junto a sintetizadores minimalistas como em Push Pull e mais precisamente em Repetition com breaks que lembram James Blake e The xx, por exemplo. Já essa referência eletrônica é mais reforçada em Stranger Than Earth que assim como as próximas faixas, Begin Again e Dust Hymn, criam uma atmosfera mais dançante no disco.

"Another Eternity" parece tomado por uma ambição eletrônica para deixá-lo mais acessível e abarcar um público maior, que ajude a difundir a própria banda. Nesse quesito, o álbum consegue atingir seu objetivo de promover seus criadores mesmo que certos valores de antes apareçam em escala menor e outros sejam ressaltados como em Flood On The Floor e Sea Castle onde o electropop vem com urgência dar um salto para esse fim. Em Stillness In Woe, o Purity Ring faz uma faixa que preserva um clima mais etéreo como se narrasse um retorno ao passado sendo, na verdade, apenas o fim do disco com um sintoma de saudade.

No final, "Another Eternity" deixa a sensação de que falta algo e que a obsessão pop tenha ofuscado outros brilhos que nasceram com o Purity Ring três anos atras.

Nota: 6,0

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