27 de fevereiro de 2015

Resenha » Will Butler - Policy (2015)

Há sempre uma boa expectativa quando o membro de uma grande banda resolve lançar um disco solo paralelo ao trabalho que o tornou conhecido. A carreira cheia de sucessos junto a banda acaba servindo como pressuposto para os olhares que antecedem o novo momento e que serve também como base para guiar, em parte, o caminho percorrido pelos nossos ouvidos no novo trabalho do músico.

William Pierce Butler, multi-instrumentista do conceituado Arcade Fire, resolveu tirar a prova dos nove em carreira solo revelando habilidades desconhecidas e reafirmando outras tantas em seu primeiro disco, "Policy", a ser lançado em 10 de Março. Will ficou conhecido pela suas performances eufóricas nas apresentações ao vivo do Arcade Fire irradiando energia e talento ao lado de seu irmão Win Butler e companhia contribuindo para o show da banda ser um espetáculo único.

Quando Will revelou a prévia do álbum, a música Take My Side, alguns questionamentos pertinentes a sonoridade do álbum relacionados ao Arcade Fire se esvaíram junto com as lembranças da banda nos levando a conhecer o outro lado do músico à parte do Arcade Fire. A pegada country e blues anos 60 de Take My Side soou arrebatadora, uma verdadeira surpresa quando se esperava algo parecido a sua banda e quando ele revelou Anna com um clima eletrônico extrovertido, Will contradizia qualquer previsão a respeito, um prazer inesperado.


A terceira faixa do disco, Finish What I Started, Will se revela um romântico a moda antiga aspirando um Beatles numa baladinha agradável e acessível de batidas e vocais suaves. Aliás o passado aparece como fonte de inspiração e de lá nascem canções como a nostálgica Sons Of God com baixo e violão disputando espaço para ver quem empolga mais no refrão. 

Em Something's Coming, Will usa de criatividade ao reunir diferentes cenários dentro de uma mesma música sendo possível extrair um ambiente mais fechado e noturno do piano, enquanto a guitarra arranhada ao fundo cria um espaço de garagem com um computador instalado soltando pequenos toques futurísticos em um ambiente atípico formando uma canção heterogênea que se destaca pela sua pluralidade de sons em um arranjo só. Para ele que está acostumado a manipular vários instrumentos essa química funciona sem problemas, mas para alguns pode soar esquisito e, no mínimo, curioso.

Já em What I Want o músico acelera a guitarra e usa o baixo e bateria como propulsão para criar uma música mais linear de pegada roqueira com uma máscara punk em outro bom momento do disco. Apesar de ser relativamente pequeno, com oito músicas, "Policy" se mostra um carrossel de emoções onde Will as transforma em canções. Logo em seguida, saindo da frenética What I Want, nos deparamos com o sossego de Sing To Me com Will cantando suavemente em um momento de descanso merecido depois da carga pesada anterior. No final, Witness traz um piano eufórico, um coral gospel anos 60, um saxofone improvisado e um refrão contagiante aos comandos do próprio Will encerrando o disco com chave de outro, tal como o começo. 

Sem dúvidas, Will Butler tem seu valor determinado no Arcade Fire. Já em sua versão solo, Will nos apresenta outras variáveis que quando equacionadas em seu disco acabamos descobrimos outras de suas virtudes e valores.

Nota: 8,0