3 de outubro de 2014

Resenha » Julian Casablancas + The Voidz - Tyranny (2014)

Já não é de hoje que Julian Casablancas procura alçar voo maiores em carreira solo sobre um terreno próximo ou distante daquele que o The Strokes se assentou para construir seu som, sua identidade e uma carreira recheada de sucessos. Há um desafio nisso: com cinco discos lançados frente a banda ficaria difícil desvincular sua figura solo de seu papel chave como vocalista da cultuada banda indie. A princípio, Julian não temeu ser ofuscado pelo sucesso de sua própria banda e quando lançou seu primeiro disco solo "Phrazes For The Young" ele deu o recado de que não precisava se espelhar nela para criar um disco pessoal. 

Ainda que seu debut dividisse opiniões, ele tinha uma certa medida de ousadia assertiva que ficou evidente na roupagem eletrônica que algumas faixas exibiam como o hit 11th Dimension. Aqui o cantor vive novas experiências assumindo uma nova postura além do Strokes, tentando afastar seus fantasmas strokianos.

As pretensões de Julian só aumentou depois desse disco com a busca de fazer algo mais grandioso, vendo na banda The Voidz a possibilidade de alcançar isso em seu segundo disco, "Tyranny". Essa junção inusitada foi mais um desafio que o cantor impôs a ele mesmo e mais ainda aos nossos ouvidos. A primeira experiência que tivemos dessa parceria foi a apresentação destrambelhada e rebelde, quase metaleira, no festival Lollapalooza desse ano no Brasil. Com algumas canções novas reveladas a prévia anunciava mais o fracasso do que o sucesso e quando o disco foi liberado pra audição isso se concretizou em cheio.



Já no começo do disco, Take Me In Your Army, Crunch Punch e M.utually A.ssured D.estruction, dá pra perceber a tentativa de Julian de se reconfigurar para cantar em uma linha roqueira mais ensandecida. Human Sadness, foi a primeira música do disco liberado, e ao longo de seus 11min nós pudemos conhecer um Julian destoante e insano querendo chamar a atenção numa música de rumos imprevisíveis. Logo depois veio a faixa Where No Eagles Fly iniciada com um baixo pulsante que se desenrola num emaranhado de sons com um pequeno apelo a fase eletrônica do cantor. Soa meio chocante quando nossa memória automaticamente nos remete ao Strokes ou até mesmo ao seu primeiro disco numa eventual comparação.

Talvez a banda The Voidz tenha sido uma pesada influência para Julian que se mostra afoito e muitas vezes dissonante como em Father Electricity e na falsa impressão metaleira de Johan Von Bronx. Business Dog e Xerox dão a entender por alguns instantes que Julian e The Voidz finalmente se entendem para colocar as coisas nos eixos e não divagarem em exageros sonoros, mas o estrago no disco já estava feito e é maior do que os acertos pretendidos. Cheio de improvisos sujos, "Tyranny" foi feito com enxertos pingados do Strokes principalmente do seu último disco "Comedown Machine" - leia a resenha do disco aqui - com uma guitarra aqui e acolá aspirando um bom momento como em Dare I Care. No final do disco, Nintendo Blood aparece como contraponto frenético da lenta Off The War... em um momento de exaustão depois de uma correria descomunal.

Não restam dúvidas que Julian Casablancas procurou ser ousado em seu segundo disco, mas fracassou com "Tyranny" em deixar de lado a criatividade que o "Phrazes For The Young" exibia por menor que fosse. Posso dizer que audácia e coragem não lhe faltaram, só lhe faltou estar mais direcionado em seus ensejos e na maneira como iria realizá-los.

Nota: 3,2 

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