18 de setembro de 2014

Resenha » Maybeshewill - Fair Youth (2014)

O post-rock é um estilo cheio de peculiaridades que abarca uma variedade de segmentos em sua essência progressista se tornando um reduto de sons que se alinham em perfeita harmonia ou se cruzam num embate estrondoso e que dependendo da banda pode até atingir níveis épicos de uma narrativa puramente instrumental.

É com essa perspectiva que os ingleses do Maybeshewill fizeram de seu quarto disco, "Fair Youth", um conto sonoro expressando sentimentos que vão da melancolia à raiva em questão de segundos. O disco começa com uma pequena introdução etérea, uma abertura simples para o drama que viria a seguir com In Amber num convento de guitarras afiadas acompanhadas de uma bateria nervosa relatando algo tempestuoso.

O tom melancólico permeia nos arranjos e por vezes toca lá no âmago. É exatamente isso que acontece na faixa You and Me and Everything In Between que em todo seu trajeto anuncia o clímax de uma história triste se passando num ambiente desolado que logo depois se cumpre de maneira belíssima. A comunhão entre o belo e o triste é algo que o Maybeshewill insere em suas músicas, talvez seja o centro delas.



Essa seria uma bela maneira de encerrar o disco formando uma trilha sonora contextualizada e coerente, um detalhe que daria um sentido a mais mesmo que fosse um detalhe desnecessário. Seguindo com o disco, a faixa que leva o nome disco, Fair Youth, traz um melodia que flerta com o pop graças ao teclado que emite notas singelas antes da banda entrar em explosão e mudar o rumo da história. O post-rock dentre muitas de suas características exige uma harmonia mais precisa, principalmente quando a faixa é longa. Embora o Maybeshewill dispense músicas com melodias extensas nesse álbum, as faixas mais compactadas e objetivas revelam a harmonia dos instrumentos como um forte denominador do grupo, evidente na faixa All Things Transient, com o violino adicionando classe e estilo no arranjo.

Em cada canção do disco o Maybeshewill as retoca com um fino viés eletrônico por meio do teclado deixando as guitarras, baixo e bateria encenarem pequenos atos barulhentos tal como em Sanctuary, Asiatic e Waking Life. Em Permanence o grupo enxerta o post-rock com uma camada etéreo fazendo-o ganhar ares mais fantasiosos, tal como a capa do disco, sem esvaecer sua própria essência. No final, In The Blind e Volga, o Maybeshewill repete o cenário em que o belo enredo do disco se desenrola.

"Fair Youth" é sensível, melancólico, refinado e vigoroso. Essas são características de um dos melhores disco de post-rock do ano.
Nota: 8,0

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