Resenha » Ludov - Miragem (2014) | MÚSICA CAFÉ

domingo, 17 de agosto de 2014

Resenha » Ludov - Miragem (2014)

A maturidade de uma banda é um processo natural onde seus integrantes usam o tempo da melhor maneira possível para filtrar as ideias em forma de letras e sons, avaliando conceitos novos para sustentar possíveis mudanças ou analisar a necessidade das mesmas. Nesse encontro brota as lembranças do começo cheio de expectativas, as mais singelas possíveis, de como tudo parecia novo, arriscado e emocionante, sem mencionar a nostalgia que bate em relembrar o quão certeiro e empolgante foi o primeiro disco.

O passado e o presente da Ludov apresentam esse pequeno enredo. Quando surgiram com o EP "Dois a Rodar" [2003] e o debut "O Exercício das Pequenas Coisas" [2005] a Ludov carregava empolgantes linhas do rock com simplicidade e um jeito alternativo sem subestimar o efeito que o pop teria em cima de suas músicas. O que veio depois disso trouxe uma banda em busca da consistência que ficou expressa com o "Disco Paralelo" [2007] mas principalmente com o álbum "Caligrafia" [2009].

Posterior a isso, a Ludov deu início a uma serie de EPs - "Minha Economia" [2011], "O Paraíso" [2012] e  "Eras Glaciais" [2013] - que fizeram com que a banda não divagasse no hiato até seu próximo disco que viria a ser "Miragem", o quarto registro da banda que nasceu da campanha crowdfunding (financiamento coletivo) movimentado por eles com a premissa de lançarem seu primeiro disco de vinil. E funcionou!


Quando a Ludov lançou a primeira faixa Copo de Mar com um belíssimo vídeo nossos ouvidos foram direcionados a uma produção inteligente onde encontramos uma banda com uma aparência renovada e a perspectiva viável de apresentar o som apurado que o tempo ajudou a construir. Nessa construção, a Ludov dá valor aos detalhes fazendo com que eles ganhem um sobressalto, embora às vezes momentâneo, para dar um destaque dentro da música sem romper a sua harmonia. É assim que a banda introduz Na Fila do B52's com uma guitarra que nos faz lembrar de Scar Tissue do Red Hot Chilli Peppers e tons artísticos que vão dando forma a música.

A próxima faixa se chama Cidade Natal, que por sinal uma das melhores dos disco, e nela a Ludov nos acaricia com uma melodia pop aconchegante fruto da comunhão entre voz e arranjo algo que difere em Congelar onde o grupo parece des(construir) a si mesmo começando de um jeito cadenciado, passando por um flash psicodélico que logo se transforma num curto solo roqueiro com a banda desacelerando o passo para terminar a faixa como começou. Bem melhor seria seguir o clima amistoso de Quem Cuida da Casa, que ganhou um vídeo com a banda homenageando o diretor de cinema Wes Anderson e sua estética extrovertida, fazendo dobradinha com outro hit do disco De Cima do Muro.

Aqui a Ludov se mostra uma banda mais cautelosa em conciliar o pop com o rock, sem muitos atrevimentos, alternando o clima de uma música e outra para valorizar esse novo momento da banda. É com essa feição que o quarteto concebe Reparação com uma melodia apaixonante que reflete o cunho sentimental que a letra carrega - "Amor é troca, edifica Não é luta nem competição". Hoje as baladinhas do grupo se encontram numa textura mais sensível, sem a mesma irreverência de antes, buscando mexer com nossas emoções com todo o esmero que seus arranjos ganharam como em Perspectiva e talvez em Sétima Arte. Nessa parte final do disco concluída com O Fim da Paisagem, a Ludov dedicou esse espaço para expor seu lado compenetrado e reflexivo em forma de letra e som.

"Miragem" traz à tona a maturidade da Ludov com músicas bem objetivas carregando uma sonoridade repaginada, mas deixando uma leve sensação da falta que faz aquele som mais nostálgico.

NOTA: 7,5

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