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sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Resenha » Interpol - El Pintor (2014)

Dar a volta por cima é uma tarefa árdua que nem sempre todas as bandas que passam por um momento de menor inspiração conseguem atingir essa recuperação. Não que esse lapso criativo acarrete em um fracasso generalizado a ponto de colocar em dúvida a qualidade de uma banda que já apresentou excelentes discos anteriormente e que agora é relembrada apenas das coisas boas do passado. Na verdade, isso que acontece pode deixar apenas pequenas manchas na trajetória de uma banda ocasionadas por músicas não muito boas que desvirtuam o álbum e acentuadas pela crítica da mídia.

Uma dessas bandas que passou por um revés e soube dar a volta por cima foi o Interpol com seu quinto disco de estúdio "El Pintor" que veio limpar uma pequena mancha deixada pelo seu último disco, selftitle, lançado quatro anos atrás. Digamos que esse penúltimo disco demonstrou o lado mais afoito do Interpol que ainda assim trouxe boas músicas como os singles Barricade e Lights, porém insuficientes para causar um impacto positivo com o disco inteiro.

Apesar dos pesares, Paul Banks e companhia, agora sem o baixista Carlos Dengler, ergueram a cabeça e seguiram rumo ao seu quinto disco em busca de limpar a barra. A redenção do Interpol inicia-se com a poderosa All The Rage Back Home que quando foi lançada fez com que nossas orelhas ficassem em pé na expectativa pelo disco. Esta, continha a assinatura da banda, sem rasuras, que se demonstrava mais empolgante e arrebatador como nos primórdios. A fórmula usada pela banda é a mesma. Riffs ganchudos do começo ao fim com o baixo, agora aos encargos de Paul Banks, e bateria dando densidade para criarem músicas de ritmos quase homogêneos.



Seria difícil pensar numa banda como o Interpol, dada a linha unilateral de seus discos, trazendo algo novo fora do seu senso comum para construir o disco. Em "El Pintor" eles seguem seus instintos sem desconsiderá-los um instante sequer como na faixa My Desire com a guitarra em ascensão. A próxima faixa, Anywhere, vem ressaltar uma característica da banda a sintonia dos instrumentais seguindo o mesmo compasso explosivo sem destoar. Diferentemente das faixas anteriores, Same Town, New Story aparece com um certo receio e uma guitarra repetitiva andando em círculos. 

Bem mais destemidas, My Blue Supreme e Everything Is Wrong ajudam o Interpol a continuar andando nos eixos mantendo o bom nível que o disco vem seguindo. Nesses momentos o grupo volta no tempo criando uma ponte de acesso entre o "Our Love To Admire" até chegar no aclamado "Turn On The Bright Lights" permanecendo aí por mais tempo. Para dar sequência a essa reprodução, em Breaker 1 e principalmente em Ancient Ways, com uma pegada de tirar o fôlego e os vocais incisivos de Paul Banks, o Interpol pontua sua principal referência o revival post-punk de maneira convincente.

No final do disco, Tidal Wave em contraste com Twice as Hard, trazem o Interpol com ânimo renovado e mais conciso naquilo que a banda quer. "El Pintor" seria o resultado de uma equação entre o "Turn On The Bright Light" e o "Our Love To Admire" com uma aparência do primeiro e traços do terceiro disco. Soberbo, o Interpol não apenas conseguiu se redimir, mas também conseguiu fazer um dos discos do ano.

Nota: 8,5

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