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segunda-feira, 14 de julho de 2014

Resenha » Mando Diao - Aelita (2014)

"None of our albums sound the same as the last one, and this upcoming one is not an exception. We're always looking for new dimensions and we found yet another one with Aelita."
- Gustaf Norén

Esse é um trecho do pequeno texto que o vocalista, Gustaf Norén, publicou no site de sua banda Mando Diao referente ao novo trabalho dos suecos chamado "Aelita". Um esboço pretensioso e infeliz do que viria a ser o novo álbum.

A verdade é que a discografia do Mando Diao contribuiu para que a primeira parte desse discurso fosse correta ainda que esta estivesse submetida a subjetividade dos nossos ouvidos avaliando no quesito intensidade dos discos. Isto porque o indie rock de garagem que figurou como marca da banda foi o ponto alto em seus discos que, em um e outro, tinha aquele hit indie que empolgava sem deixar aquela sensação de mesmice ou de algo enjoativo com uma fórmula repetida. Bastava isso funcionar sem haver a necessidade de apresentar uma grande novidade. É só lembrar do debut "Bring 'Em In" (2002) com o hit Mr. Moon, "Hurricane Bar" (2004) com God Knows e "Give Me Fire!" (2009) onde a banda foi as alturas com o hit Dance With Somebody e Give Me Fire, por exemplo.

O Mando Diao não colocava obstáculos em seus discos até que resolveram explorar "novas dimensões". Não que isso seja um erro. O problema é quando isso não cai bem pra uma banda e soa apelativo numa tentativa de pegar mote de novas tendências. Quando o Mando Diao lançou o single Black Saturday a premissa era de que a banda estava disposto a navegar por novos ares em detrimento do estilo arrojado de antes e quando começamos a ouvir o "Aelita" a impressão se torna verdadeira com o Mando Diao recomendando a todos que ouçam seu novo registro com outras perspectivas. 


O eixo indie / garagem foi desintegrado para dar lugar a uma pretensiosa manifestação eletrônica que invadiu o conjunto roqueiro do grupo. Basta ouvir Rooftop, segunda faixa do disco, para sentirmos essa vibe evoluindo e ganhando projeção em Money Doens'n Make You a Man com a banda mirando num synthpop inconveniente. Sweet Wet Dreams tem como proposta amaciar o disco com uma baladinha pop, mas sem surtir muito efeito. Aqui bate uma saudade da faixa Crystal no disco "Give Me Fire!" que cumpriu bem sua missão de embalar.

Em "Aelita" o Mando Diao esqueceu de ser objetivo, quis distribuir muitos detalhes no disco fazendo canções alongadas cheio de retoques eletrônicos como ouvimos em If I Don't Have You e Baby com 7:30min e 6:40min respectivamente. Nessas "novas dimensões" os vocais de Gustaf Norén e Bjorn Dixgard perderam o potencial de contagiar e em algumas melodias repaginadas como em Lonely Driver - aqui o Mando Diao arrisca um flerte com o soul - eles mudam seu objetivo para tentar nos encantar. Mas na proporção que eles atingem seu propósito eles conseguem sair do prumo com Child, esboçar uma reação em Romeo e se perder de vez em Make You Mine.

Talvez em suas pretensões de fazer um disco diferente dos outros o Mando Diao não estipulasse uma mudança tão generalizada como esse disco transparece e nem que ele viria a ser um erro trágico.

Nota: 4,0

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