26 de junho de 2014

Resenha » Klaxons - Love Frequency (2014)

A trajetória de uma banda muitas vezes é caracterizado por um carrossel de mudanças, um vai e vem de ideias que (des)constroem caminhos mirando na perspectiva de apresentar algo novo para significar um salto no progresso mesmo que esse objetivo ainda dependa da aceitação dos novos ares. Quando isso acontece às vezes é difícil sair ileso da transformação quando a adaptação parece inalcançável. Daí os efeitos colaterais que isso acarreta acabam ofuscando a novidade alcançada colocando em xeque o progresso pretendido e é bem provável que isso tenha acontecido com o Klaxons.

O grupo desde seu segundo disco "Surfing The Void" (2010) foi sendo questionado por muitos. O new rave / dance-punk, sem firulas, que surgiram como aspectos centrais da banda no início da carreira no aclamado debut "Myths Of The Ear Future" (2007) era promissor, porém ainda que seu sucessor tivesse suas virtudes ele veio para desvirtuar a expectativa de um segundo disco empolgante baseado na fórmula anterior. Se em seu segundo disco o Klaxons ficou devendo, em seu novo disco, "Love Frequency", podemos dizer que a banda oscilou perigosamente até andar na contra-mão.


Quando lançaram o single There Is No Other Time a impressão que o Klaxons nos passava era que a banda estava se entregando a todo gosto aos sintetizadores dispensando a ensandecida roupagem dance/punk de antes. Dispensar sua característica principal para assumir com mais força outra postura pode significar uma perda de identidade resultando muitas vezes em um mal-estar. Nós ficamos mais convencidos disso quando ouvimos a primeira faixa do disco, New Reality, onde os sintetizadores inflamados se encarregam de anunciar o novo momento da banda em uma dobradinha com There Is No Other Time. Essa nova realidade do Klaxons é o oposto do que fez o Foals que deu mais ênfase as guitarras e se precaveu nos efeitos eletrônicos em seu último disco "Holy Fire" (2013).

A demasia eletrônica do Klaxons em Show Me a Miracle seguida em Out Of The Dark e Children Of The Sun conduz a banda para um patamar mais pop e mais dançante do que nunca o que é perceptível desde os arranjos sintetizados aos vocais enfeitados. Apesar do disco andar em curvas largas, há momentos em que o Klaxons anda numa reta com pequenos lapsos que remetem ao "Surfing The Void" proporcionado pela guitarra que ganha maior nitidez em faixas como Invisible Forces e Rhythm Of Life. Nem tudo no disco é redundância e Liquid Light junto com The Dreamers mostram um Klaxons um pouco mais inspirado para criar uma atmosfera amena e repaginada que destoa das outras músicas, mas que eleva a qualidade do disco.

Ainda que Atom to Atom reforce a pegada rave do grupo com precisão e Love Frequency confirme novamente a falta que faz o dance-punk distorcido numa camada eletrônica, o Klaxons deixa mais dúvidas do que certezas, aliás, talvez a única certeza que temos ao concluirmos a audição do disco é: saudades de 2007.
Nota: 5,0

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Copyright © Música Café
Editado Por Moisés Lima | Tecnologia do Blogger
    Facebook Twitter Tumblr Instagram LastFM