Resenha » The Pains Of Being Pure At Heart - Days Of Abandon (2014) | MÚSICA CAFÉ

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Resenha » The Pains Of Being Pure At Heart - Days Of Abandon (2014)

Quando o The Pains Of Being Pure At Heart surgiu de vez com seu debut selftitle em 2009, o grupo apresentava em seu conjunto um som energético que refletia com perfeição o perfil jovem e irrequieto de seus integrantes. Eles encontraram no noise os mecanismos necessários para deslanchar uma leva de músicas vibrantes cravando na nossa mente ruídos que carregavam vestígios do pop usados para impregnar ainda mais dentro de uma esfera empoeirada como de uma garagem. Aliás, esse ambiente era algo inspirador que proporcionava a eles a liberdade para criar uma estética crua sem precisar estilizar seu som para parecer um pouco mais habitual. 

Mas assim como aconteceu com outras bandas, o The Pains Of Being Pure At Heart não se prendeu a um padrão estabelecido para repetir a fórmula e apresentar um som invariável. Isso começou a fazer mais sentido quando a banda lançou o single Say No To Love em 2010 onde o pop saia de uma linha sutil e aparecia com uma porcentagem maior ganhando um destaque nos arranjos e nos vocais. Isso foi algo significativo, porém não representava uma mudança por completo no perfil da banda que a diferenciasse de seu início. Antes, apontava o equilíbrio entre as duas variáveis usadas por eles, o noise e o pop, que ficou em evidência no seu segundo disco "Belong" (2011).


Seguindo essa projeção, o The Pains Of Being Pure At Heart procurou ascender o pop ainda mais para deixá-lo em primeiro plano no seu terceiro disco chamado "Days Of Abandon". É exatamente essa sensação que nos remete quando escutamos a delicada Art Smock na abertura do disco e quando sentimos o refrão açucarado de Simple and Sure penetrar na nossa cabeça. A abertura de Kelly, a faixa seguinte, te faz pensar numa tentativa da banda de causar uma overdose pop com teclados anos 80 e os vocais agraciados da tecladista Peggy Wang te convidando pro embalo e uma dancinha marota.

O sobressalto no indie pop deixou a banda mais contida, se policiando constantemente para não pisar muito fora dessa linha mantendo o noise enrustido, mas não confinado em seus dois discos anteriores. Em Beautiful Day ele desperta para dar uma textura mais áspera no disco e flertar com o shoegaze logo depois com Coral and Gold para pontuar esse lado da banda. É uma pena que esse envolvimento do grupo com um som mais denso não vingue por muito tempo por que logo em seguida eles se concentram em fazer canções que ressaltam o pop ainda que as guitarras pareçam incomodar como em Eurydice, Masokissed e mais ainda com Until The Sun Explodes.

Esse lado pop que também aparece mais rebuscado não só é justificado pelos arranjos limpos e melodias aderentes, mas também pelos vocais de Kip Berman e Peggy Wang que alimentam esse teor em faixas como Life After Life com Wang e The Asp In My Chest com Berman. Se voltássemos no tempo para ouvir o The Pains Of Being Pure At Heart de 2009 talvez não imaginássemos o rumo que as coisas, ou mehor dizendo, o pop, iria tomar no "Belong" e agora ainda mais forte em "Days Of Abandon".

Nota: 7,5


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