23 de maio de 2014

Resenha » Owen Pallett - In Conflict (2014)

Conhecido por estar bem afeiçoado ao seu violino e também por ser um agregado valioso nos arranjos do Arcade Fire, o músico canadense Owen Pallett tem em seu DNA musical princípios que regem um trabalho minucioso que exige ser ouvido com a mesma delicadeza que ele repassa em seu conjunto de notas lustrados especialmente por seu violino. É com ele que Owen rege suas operetas com atos envolventes e movimentos simples que traduzem a eloquência do cantor que recentemente criou a trilha sonora do badalado filme "Her". Quer assumindo seu nome para registrar sua carreira solo, quer usando anteriormente o codinome Final Fantasy ou atuando em outro projetos, o Owen Pallett sempre procurou extrair um som refinado e autêntico do seus instrumentos para conferir classe e por extensão um ar sofisticado como no excelente disco "Heartland" de 2010.

Para esse ano, Pallett preparou o sucessor de "Heartland" chamado "In Conflict" e nele o cantor aparece buscando uma inovação presumível em alinhar seu elo com a música clássica com efeitos eletrônicos que o faz soar um tanto experimentalista sem precisar de exageros. Isso começa a fazer sentido quando I Am Not Afraid passa a ganhar uma textura áspera num nível secundário que destoa da melodia principal e uma leve inferência ao Grizzly Bear é sentida. 

Talvez o próprio Pallett tenha pegado o mote da criatividade do Arcade Fire em suas andanças com banda e tenha encontrado no Grizzly Bear outra ligeira inspiração trazendo pro "In Conflict" pequenos experimentos que vão dando certo, mas que nos deixa com uma sutil suspeita de que seu violino vai perdendo o papel principal para assumir o de coadjuvante. Apesar disso, Pallett não perdeu seus traços delicados para criar suas peças como a faixa-título In Conflict surgindo em um palco moderno e On a Path preservando um ambiente clássico e elegante com o violino se responsabilizando para recriar esses ares. Não demora muito e logo vemos o músico implantar loops em ondulações eletrônicas em Song For Five & Six para levá-lo a uma dimensão, não desconhecida por ele, enfeitada por sons eletrônicos vindo de todos os lados para dominar Pallett e seu violino.


A faixa que vem em seguida, The Secret Seven, permite olharmos o músico com uma perspectiva pop que vai ganhando formas diferentes no desenrolar da música com um refrão certeiro. Dá pra perceber também que o disco "In Conflict" apresenta contrastes em seus arranjos bastando ouvir a estranha Chorale e a cadenciada The Passions. É até normal encontrar essas discrepâncias quando você se depara com um músico buscando algo novo e por fim se sustenta em improvisos sintetizados como em The Sky Behind The Flag e logo depois na curta marcha fúnebre, ---> [1]. Em The Riverbed há um volume mais pesado do que o normal para Pallett e isso é graças a guitarra do convidado Brian Eno entrando em consonância veloz com o violino dele.

Os sintetizadores sempre foram aliados do cantor que colocava neles sua assinatura e sempre apareciam bem dosados em suas músicas. Em "In Conflict" eles aparecem com um sobressalto em algumas músicas, porém sem o objetivo de levar o músico pra fora de uma plataforma que não é a habitual. É tanto que Infernal Fantasy, com a vocalização lírica de Pallett, consegue soar como uma música do melhor álbum do músico, o "Heartland", e logo em seguida com ele construindo Soldiers Rock num ritmo moderado cheio de efeitos. Para encerrar o disco, ---> [2], traz Owen Pallett atuando numa opereta individual com uma expressiva exibição do seu violino tocado com maestria.

O disco melhora na segunda e na terceira audição, mas no final permanece a sensação de que ele soaria mais assertivo se seu principal recurso continuasse na dianteira dos arranjos agraciados por ele, Owen Pallett.

Nota: 7,5 

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