1 de abril de 2014

Resenha » SILVA - Vista Pro Mar (2014)

Ainda lembro da nostalgia que senti quando terminei de ouvir o "Claridão" pela primeira vez em 2012. Tamanha foi a empolgação que logo queria ir em uma loja física adquirir esse disco pra minha coleção de CDs. O efeito foi imediato! Claridão mostrou ser um disco flexível ao lidar com o pop e a música popular explorando recursos eletrônicos que pudesse torná-lo acessível, fácil de ser digerido, com hits eficientes cumprindo bem a missão de nos fazer cantarolar suas músicas por aí.

Com esse disco, SILVA conseguiu invadir o espaço do pop nacional deixando registrado uma maneira mais alternativa e pessoal de faze-lo funcionar sem parecer algo pretensioso demais. Firmar presença nesse nicho sem perder sua identidade e ainda assim confirmar seu talento mediante ouvidos exigentes e conhecedores do seu trabalho seria a missão que o músico capixaba teria que enfrentar sem precisar usar o "Claridão" como escudo para proteger sua carreira em construção além de manter uma nostalgia quase perpétua que seu debut conseguiu produzir.

A inspiradora vista para o mar à beira da piscina em Miami ao lado do seu irmão e letrista Lucas Silva deu a ele todos os argumentos possíveis para alimentar seu desejo de fazer algo mais "ensolarado" em seu segundo disco. Pegando esse mote e a vontade de fazer mais, o próximo passo que o SILVA deu em sua carreira prima pelo nome de "Vista Pro Mar" e com ele não só o nome parece convidativo, mas também as respostas positivas que o músico deu para as expectativas entorno do disco atingem o alvo na mosca. 

As quatro músicas lançadas semanalmente, Janeiro, É Preciso Dizer, Universo e Okinawa, deram uma contribuição assertiva para aguardarmos o "Vista Pro Mar" com vívida expectativa. Cada canção carrega um valor próprio e sentimentos diferentes que lustra os detalhes minuciosos de um trabalho feito à moda da casa, mas que também expressa a ideia de um músico dando um sobressalto em suas invenções eletrônicas agregando outros mecanismos que o fizesse soar como novo. Essa base eletrônica se mostra saliente e para fugir do elementar SILVA introduz metais na faixa título, Vista Pro Mar, para absorvermos a proposta de juntar o habitual com o novo e fazer algo mais rebuscado tal como o coro de saxofone prestigiando a euforia do teclado no final de Janeiro.


SILVA procura a liberdade que uma vista pro mar proporciona e é com esse pensamento que ele preenche É Preciso Dizer com experimentos que o fazem livre, leve e solto para desenhar o raiar do sol no final da tarde com o canto de gaivotas inseridos em seu arranjo. Diante de todo o seu aparato eletrônico a levada MPB parecia arredia sem grandes manifestações até então. Daí, Entardecer aparece para ressaltar essa característica pautada pelo cantor que ganha ares inovadores no duo com Fernanda Takai em Okinawa com uma roupagem eletrônica e uma guitarra silenciosa.

Disco Novo é aquela faixa tipicamente pop que basta ouvir pela primeira vez que logo você segue cantarolando por aí. É o tipo de música que funciona como um passatempo divertido deixando um clima amistoso e bons fluídos no ar para seguirmos acompanhando o "Vista Pro Mar" mais de perto. Em seguida, Universo vem dar um clima mais acalorado no disco com um SILVA iluminado colocando um tom mais retrô e dançante na faixa. Dá pra sentir o músico de bem com a vida cantando com leveza a música Volta e perceber logo depois, com certa estranheza, ele ficando compenetrado, solitário, cantando a faixa Ainda sob o efeito Marcelo Camelo de ser, arriscando uma MPB mais pura, sem efeito algum, interrompendo a vibe das canções anteriores retomando logo em seguida com Capuba e Maré.

De um modo geral, o "Vista Pro Mar" consegue ser dinâmico e soar um tanto diferente do "Claridão" e mesmo não tendo a mesma "carrada" de hits que o anterior, seu novo disco apresenta uma nostalgia equalizada em níveis altos e estáveis, sem redemoinhos para afogar nossa empolgação, durante 11 canções que validam a música feita por um sujeito que está nos ensinando a gostar do pop nacional de outra maneira.
   
Nota: 8,5

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