27 de março de 2014

Resenha » Should - The Great Pretend (2014)

O Should é uma dessas bandas que te surpreende logo de cara em meio a tantos downloads diários que, para encontrar qualidade no meio da quantidade, é necessário garimpar até achar algo de valor, que agrade seus ouvidos e que o faça perceber os sentimentos por trás de uma complexidade musical coagindo-o a estimar essa singela descoberta por ouvir seu disco repetidas vezes e ainda assim encontrar novos motivos para continuar encantado.

Should é um duo americano do Texas, formada por Marc Ostermeier e Tanya Maus em 1995, que assume em seu som influências como Yo La Tengo e Slowdive. O som do grupo é, de fato, uma mistura dessas duas bandas pontuando bem o indie pop distorcido pelo noise simplificado das guitarras numa textura lo-fi e por vezes com uma camada dream-pop sem extrapolar os limites de cada estilo. A banda de maneira inteligente adiciona esses elementos de cada segmento em um conjunto harmônico sem agredir ou inferiorizar suas características tornando seu som refinado e digno.

Esse ano o duo apresentou seu quarto álbum chamado "The Great Pretend" que não demora muito para encontrarmos a sintonia de um duo afinado nos instrumentos e nos vocais, motivos esses que nos levam a nutrir simpatia pela banda sem muito esforço. O prelúdio inicial de Don't Send Me Your Regrets serve como cartão de visita para darmos uma chance a banda que começa a prender nossa atenção com a delicadeza acanhada de Loveless Devotion e os mimos de Mistakes Are Mine. A banda segue nos embalando com a graça de xilofones e sutis sintetizadores numa encantadora afinidade com a guitarra em In Monotone. É na balada de Down a Notch que o Should proporciona o encontro entre o pop alternativo dos anos 90's e o pop adocicado de refrão pegajoso e curto cantado a dois dos anos 00's.


Para não jorrar canções redundantes dentro do disco o grupo mede o ritmo e varia intensidade e velocidade entre elas para escapar dessa consequência. Basta ouvir a regrada Everybody Knows e a pegada mais vibrante de Dalliance. Nessa variação certeira uma textura macia é encomendada para nos relaxar com A Lonely Place antes de nos despertar sem incomodações com Armends. As duas últimas faixas do disco, Gold Stars e Don't Get To Know Me, servem para afirmar a existência de uma banda de traços simples que sabe medir e dosar bem as coisas, utilizando suas influências apenas para dá um norte no caminho a seguir e não viver apenas à sombra delas.

Nota: 8,0