14 de março de 2014

Resenha » Foster The People - Supermodel (2014)

O segundo disco do Foster The People, Supermodel, era um dos discos mais aguardados pra esse ano e com ele trazia uma pergunta boba: o Foster The People resistiria ao hype em cima do Torches?

O que vem depois do "boom" sempre gera expectativa sobre o rumo que as coisas irão tomar, se haverá uma resposta condizente com a histeria causada de antes ou expressões de desapontamento aparecerá como relato da decepção diante do novo trabalho. Querendo ou não o hype acaba deixando nossos ouvidos mais exigentes após isso, sem estar sob efeito completo do vício - ainda que as lembranças nos deixem otimistas - nos levando a estabelecer parâmetros respaldados pelo registro anterior enquanto encaramos o novo momento.

Supermodel começou a ganhar forma com o lançamento do single Coming Of Age onde o Foster The People aparecia para provar seu potencial de fazer hit e deixar uma música perambulando na cabeça. A fórmula é fazer o pop funcionar com guitarras e sintetizadores trabalhando para dar ritmo ao refrão grudento cumprir sua missão. A canção surtiu o efeito desejado abrindo espaço para a próxima faixa lançada antes do disco, Pseudologia Fantastica. A música justifica mais a neo-psicodelia usada para marcar um território usado pela banda do que os passos insinuantes e participativos no Torches (2011). É nesse terreno que o trio estipula uma presença mais forte que concordaria com a capa usada para pintar a mensagem por trás do disco "the ungly side of capitalism" - o lado feio do capitalismo.


A maneira que o Foster The People utilizou para resistir ao hype foi dando uma intensidade no som, sem fugir do senso comum, dando mais intensidade ao conjunto básico de instrumentos - guitarra, baixo e bateria - recuando o teclado eletrônico para uma posição de apoio ao invés de bancar a liderança algo mais perceptível no começo do disco com Ask Yourself do que com Are You What You Wanna Be?. Dar mais potência principalmente na guitarra fez com que o Foster The People fugisse da previsibilidade de um som exclusivamente dançante, como em Nevermind, ainda que esse resultado apareça em menor grau, mas sem o naipe de uma Helena Beat e Pumped Up Kicks.

O backing vocal, sempre numa estreita parceria com os vocais de Mark, dão volume a excentricidade de Best Friend - que parece uma resposta Carried Away do Passion Pit - com direito a um saudoso trompete aparecendo em meio a brincadeira para dar dinamismo na canção. Na sequência, A Beginner's Guide to Destroying The Moon e seu viés roqueiro sacramenta a postura ofensiva e séria do trio mesmo que os "iuuuuuus" e "aaaaaaahs" de Mark digam o contrário. Goats In Trees soa como uma interrupção acústica desse processo de imposição da banda e o que vem depois disso parece ter sido criado para cumprir tabela com The Truth tentando unir os dois momentos do Foster The People apresentando exageros na modulação dos vocais e Fire Escape com sua ressaca interminável.

Sem fugir dos holofotes e do "capitalismo" massacrante digamos que, com o Supermodel, o Foster The People conseguiu dar conta do recado no pós-hype com um foco diferente do Torches sendo mais incisivo, menos dançante, mas igualmente funcional.

Nota: 7,5

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