19 de dezembro de 2013

Melhores Discos de 2013 (10 - 06)

 A penúltima parte da lista veio carregada por um som mais pesado com o trabalho da Loomer - melhor disco nacional - e do Queens Of The Stone Age com um retorno avassalador. Todo esse barulho é contrastado pelo clima ameno que o disco do Volcano Choir produz. Para aumentar nossa empolgação desse ano, as faixas dos discos do French Films e do Surfer Blood fazem dobradinhas de perder o fôlego.

10. Loomer - You Wouldn't Anyway
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Eis o melhor disco nacional na minha opinião. A banda gaúcha Loomer é responsável por difundir um shoegaze atmosférico de qualidade capaz de propagar seu barulho do Oiapoque ao Chuí. Seu registro desse ano veio com o shoegaze nervoso auxiliado por um noise frenético. Quando Slow Dream é acionada no começo do disco a banda nos remete a um turbilhão de guitarras imperativas e vocais sufocados presos a um som ensurdecedor. Porém a cartada de mestre da Loomer nesse disco foi encontrar um ponto de equilíbrio entre o shoegaze e o noise a fim de não viverem apenas num alvoroço de guitarras temperamentais a ponto de  nos deixar desnorteados. Os estilos bem dosados e alinhados dão brecha para que os vocais surrados ganhem mais espaço como em Mammoth Butterfly, Snow Flake e Dark Star. You Wouldn't Anyway é bem trabalhado e sua dissonância nos deixa de cabelo em pé e orelhas esquentadas ao final de seus 36min.

 
09. Surfer Blood - Pythons
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O indiscutível Astro Coast (2010) do Surfer Blood foi um prato cheio pra quem queria encontrar uma banda que fugisse dos conceitos elementares do tradicional indie rock. O surf rock produzido alavancou o grupo para além do óbvio deixando boas impressões. Esse ano o Surfer Blood continuou fazendo um som vibrante, mas contendo vibrações mais pop não tão ressaltadas no primeiro disco. Os refrões ensolarados e eficientes de Gravity, Weird Shapes e Say Yes To Me condenam a banda que fez uso desse efeito mais pegajoso no álbum, mas sem perder a essência do seu primeiro disco. Pythons é um disco de canções acessíveis como I Was Wrong e Needs and Pins e com Demon Race demonstrando uma diplomacia ao mesmo tempo que vocais gritantes apelam pra rebeldia na música.


08. Queens Of The Stone Age - ...Like Clockwork
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O sexto disco do QoTSA era um dos lançamentos mais aguardado pra 2013 e com ...Like Clockwork deu pra sentir que quase sete anos depois do Era Vulgaris (2007) o grupo descarregou toda a energia acumulada durante esse tempo. Em I Sat By The Ocean - melhor faixa do disco - os riffs arrojados servem para justificar o stoner rock característico do grupo. Sem divagar, o grupo reage a outros estímulos como na levada The Vampyre Of The Time and Memory e reafirma seu comprometimento com um rock classudo num de bate rebate de guitarra, baixo e bateria em My God Is The Sun. O volume carregado no seu som sofre modulações diferentes para cada faixa deixando a banda fora de um sistema linear. Seu sexto trabalho impressiona pela gravidade e pela firmeza da banda em manipular seus instrumentos com vigor de sempre.


07. French Films - White Orchid
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O French Films é uma banda finlandesa da escola post-punk, anexada ao otimismo do surf rock e auxiliada pelos apetrechos barulhentos de garagem. A banda consegue equacionar essas variantes paralelas sem causar um rebuliço ensurdecedor ou parecerem redundantes com aquilo que já foi criado nessas linhas. Seguindo essa ideia, White Orchid, segundo trabalho da banda, propõe uma estética lúcida dotado de canções que buscam empolgar a todo o instante. Um pequeno prelúdio anuncia a faixa White Orchid que logo deslancha em acordes repetidos e refrão aderente dando uma boa expectativa do disco. O disco tem um eixo poderoso com a trinca de ouro formada por Special Shades, All The Time You Got e Latter Days funcionando interligadas causando um frenesi capaz de deixar qualquer um entusiasmado. (Nota tirada da resenha do disco publicada aqui.)


06. Volcano Choir - Repave
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A semiótica da capa do disco poderia sugerir um disco agitado de músicas turbulentas, mas essa leitura não condiz com o efeito tranquilizante que o segundo disco do Volcano Choir exerce sobre nós. O grupo que conta com a participação do Justin Vernon (Bon Iver) fez o melhor disco folk do ano capaz de ir lá no nosso âmago. Ouvir Tiderays com o fone de ouvido é sentir uma música macia penetrar no seu interior para lhe reconfortar de um jeito inesperado. A presença de cada instrumento e uma variedade deles é sentida nos arranjos onde cada um ganha uma entonação maior fazendo o folk fluir sobre várias camada com em Comrade e Byegone. Repave é disco folk sofisticado e cantado com elegância por quem sabe encantar.