Mostrando postagens com marcador Resenha. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Resenha. Mostrar todas as postagens

4 de fevereiro de 2017

Resenha » Japandroids - Near To The Wild Heart Of Life (2017)

Cinco anos depois de lançar "Celebration Rock", o duo canadense Japandroids sai do hiato apresentando seu terceiro disco chamado "Near To The Wild Heart Of Life". (Ouça ele aqui.)

Conhecidos por misturarem o indie rock com um sobressalto noise que se estica pelas veias do punk entre um barulho e outro, o Japandroids parece que resolveu dar uma amenizada nas distorções e ruídos para arriscar um som mais ligeiro, alinhado em algo que talvez não estivesse tão longe assim do grupo, o hardcore.

Logo de cara, a faixa-título que inicia o disco já traz essa pegada bem sugestiva. A guitarra acelerada em conjunto com a bateria pulsam um ritmo mais melódico que o normal se levarmos em consideração seus anteriores trabalhos, "Post-Nothing" e "Celebration Rock". A concepção que tínhamos do grupo acaba mudando com essa tendência menos agressiva adotada por eles e isso se confirma ainda mais quando ouvimos North East South West de som elementar e backing vocal funcionando como numa banda emo.



Em True Love And A Free Life Or Free Will temos aí uma música de caráter inofensivo feita para amaciar nossos ouvidos e isso vindo do Japandroids soa estranhamente ruim assim como I'm Sorry (For Not Finding You Sonner) e a interminável Arc Of Bar com seus 7:25seg de uma música forçada.

Nas três últimas músicas que finalizam o disco, o Japandroids nos reserva ruídos quase inofensivos como se eles surgissem perante uma necessidade de ter seu potencial limitado para não agredir tanto como das outras vezes. 

Particularmente esperava um disco energético e dissonante. Encontrei nele um "noise" melódico metido a punk, hardcore!

LEIA MAIS

21 de outubro de 2016

Resenha » C Duncan - The Midnight Sun (2016)

Quem chegou a ouvir o debut do escocês C Duncan ano passado quando o indiquei aqui se deparou com um músico fazendo um folk com uma vertente experimental que ecoava um Grizzly Bear ao fundo, por exemplo. Além dessa faceta, o teor pop surgia para suavizar os arranjos resultando em músicas fáceis de ouvir.

Pra não deixar a gente apenas com uma boa lembrança de seu disco de estreia, esse ano ele já lançou seu segundo trabalho chamado de "The Midnight Sun". Nothing More, que inicia o registro, prescreve o tom da obra. O detalhe é que nesse, Duncan viaja mais pelo clima enevoado do dream-pop através de uma linha eletrônica fazendo com que seus traços folk ressoem por um ambiente etéreo ideal para sua voz sussurrada tipo em Like You Do, Wanted To Want It Too e Last To Leave.


 
A sensação que o álbum nos traz é de descanso e sossego. Other Side é a faixa em que o pop parece rumar pelos caminhos da chillwave dando a impressão de algo ensolarado.

C Duncan criou uma experiência sensorial sutil que está mais presente em "The Midnight Sun" tal como em Who Lost, Do I Hear?, a faixa-título e Jupiter e que acabou resultando numa singela diferença do anterior "Architect", mas ambos apresentam a destreza de um novato que sabe unir elementos e fazer um belo trabalho. Window encerra a harmonia de um disco onde as faixas falam o mesmo tom.

"The Midnight Sun" foi lançado em 14 de Outubro e você pode ouvi-lo na íntegra logo abaixo ou aqui no Bandcamp.

LEIA MAIS

9 de setembro de 2016

Resenha » Nick Cave And The Bad Seeds - Skeleton Tree (2016)

Uma das certezas que você vai ter esse ano é que o novo disco do Nick Cave aparecerá em muitas listas de Melhores Discos do Ano. "Skeleton Tree", décimo sexto álbum do músico com o grupo The Bad Seeds, é uma obra tocante que evoca toda a nossa sensibilidade para uma demonstração de empatia para com o músico que perdeu seu filho tragicamente ano passado enquanto o disco ainda estava sendo produzido.

A profunda melancolia vem mediante um instrumental sombrio que nos conduz pelas condolentes narrativas cantadas por Cave e sua aveludada voz que soam como consolo para si próprio e por extensão a nós. "Skeleton Tree" não traduz Cave lutando contra sentimentos de tristeza ou de sabotá-lo, ao contrário, é a aceitação dele como parte da vida e seus infortúnios, uma maneira louvável de lidar com isso. A diferença é que aqui ele transforma isso em um momento artístico/pessoal primoroso ativando a compaixão que há dentro de nós bem como a gratidão por ter feito algo tão belo.



O momento que mais parecer elucidar todo o sentimento de Nick Cave por trás disso é a faixa I Need You quando as palavras declaradas por ele parecem chorar com elegância ao cantar "eu preciso de você, em meu coração, eu preciso de você". Outro destaque é a faixa Skeleton Tree que encerra o álbum de forma sublime acalentando nosso coração após sentirmos o peso sentimental que o disco carrega.
 
Se na morte de alguém que amamos ficamos inquietos e desesperados compartilhando tamanha dor sem saber o que fazer ou o que dizer, Nick Cave nos ensina algo importante em seu disco: não diga nada, apenas sinta, abrace alguém e chore.



LEIA MAIS

18 de agosto de 2016

Resenha » Wild Beasts - Boy King (2016)

"Boy King" novo disco do Wild Beasts pode ser resumido como o lado avesso da banda levando em conta o início de sua carreira. As referências eletrônicas anunciadas nos singles Get My Bang e Celestial Creatures, que antecederam o lançamento do disco, não é novidade já que desde seus últimos dois trabalhos, "Smother" (2011) e "Present Tense" (2014) tais elementos já pareciam dar um rumo paralelo ao grupo.

Se era algo apenas paralelo, opcional, "Boy King" veio transformar isso em um único caminho de altos e baixos. Desta vez o perfil eletrônico do Wild Beasts está em evidência e de forma mais pretensiosa buscando causar uma impressão mais dançante do grupo acentuada pelos falsetes insinuantes do vocalista Hayden Thorpe.



O tal art rock que girou em torno do Wild Beasts em "Limbo, Panto" e "Two Dancers" se transformou em um tal art pop escancarado movido por synths que pronunciam o lado dançante do grupo, algo que "Present Tense" vinha nos preparando para chegar na realidade de hoje. O problema é que o anterior disco parecia ter também uma mensagem implícita de que não era necessário ir além disso para soar diferente do que já foram e continuar fazendo bons álbum. Até aqui estaria bom.

Extrapolar certos limites seria arriscado e nesse caso o Wild Beasts não mediu esforços para soar mais eletrônico que antes, tentando disfarçar com sua virtuosidade qualquer efeito que pudesse ser encarado como tendencioso, mesmo não sendo possível camuflar isso sempre. O resultado é um disco mediano que pode fazer você dançar sem saber se está gostando ou não.

LEIA MAIS

11 de maio de 2016

Resenha » Jonathan Tadeu - Queda Livre (2016)

A carreira solo do Jonathan Tadeu, ex membro das bandas Quase Coadjuvante e Lupe de Lupe, começou despretensiosamente em alta quando ele lançou seu debut, "Casa Vazia", ano passado rendendo boas críticas ao músico - inclusive ele foi um dos destaques na lista dos Melhores do Ano aqui no blog.

Não demorou muito para que o mineiro continuasse suas andanças pelas beiradas musicais e chegasse a seu segundo disco chamado "Queda Livre" ainda com o simples pensamento de cantar e tocar sobre sentimentos. Se "Casa Vazia" apresentava algo de esperançoso com picos de alegria podemos dizer que "Queda Livre" é o contraponto entristecido do Jonathan Tadeu expresso nas letras e melodias. A faixa que inicia o álbum, Quase, é um registro honesto de um romance que não vinga mais e dar lugar ao desabafo mediante uma guitarra visceral que ajuda a externar aquilo que está preso por dentro.

"Eu juro por deus
Que eu me esforço
Mas não posso deixar você
Esperando a saudade nascer em mim." 

Consciente de que usa a música como um instrumento de reflexão, Jonathan filosofa sobre relacionamentos quando diz em Ninguém Se Importa: "Sozinho eu faço tanto estrago. Com você é que eu durmo em paz. E já são tantas noites que eu nem sei se isso que a gente tem é conforto ou conformismo." Introspectivo, o músico segue meditando sobre si mesmo e seus feitios de forma sorrateira embalado por uma guitarra que ressoa harmonicamente à sua frente em Diana Ross que, curiosamente, cita outra faixa do músico, Whitney Houston, do álbum "Casa Vazia".



A faixa que talvez seja a mais lamuriosa introduzida com uma melodia sadcore é Queda Livre que rasteja em sua metade e depois dá gritos de desesperos com os riffs de guitarra. O que vem na nossa mente é que Jonathan Tadeu se passa por um romancista que após um rompimento se martiriza ao relembrar de diálogos e encontros passados tal como registrados na sequência com La Greppia e Sorriso Besta. Outro momento em que a melancolia é acentuada é na faixa Bastardo de uma estrofe só. 

O lampejo de sobriedade fica marcado em pouco menos de um minuto na faixa Amour de mensagem simples, porém poderosa: Mesmo que eu nunca acorde desse sonho ruim Eu te amo até o fim. Apesar de tudo o desapego é uma ação emergencial que Jonathan Tadeu prefere não tomar ainda, do contrário, age de forma passional ao insistir em um desejo errado em Ato Falho. Não restam dúvidas que "Queda Livre" trata-se de um disco sentimental onde seu criador traça uma história divididas em 10 partes e aponta para algo pessoal na última música O Mundo É Um Lugar Bonito e Eu Não Tenho Mais Medo de Morrer onde, através do recurso spoken word, Jonathan parece resumir um pouco de sua vida.

Com uma sonoridade lo-fi que relembra os anos 90 da guitarra do Yo La Tengo a melodia da Carissa Wierd, Jonathan Tadeu explora o poder de suas composições para fazer um disco honesto onde a música final reflete com dignidade aquilo que se sente e o que se pensa em alta qualidade.

★★★★☆

"Queda Livre" foi lançado ontem dia 10 de Maio.
LEIA MAIS