7 de setembro de 2017

Resenha » Maglore - Todas as Bandeiras (2017)

Está precisando ouvir um disco nacional que cause uma boa impressão logo de cara sem muito invencionismo? O quarto disco da Maglore, "Todas as Bandeiras", pode ser uma boa pedida pra você.

Os baianos entregaram um disco pronto para ser consumido sem obstáculos equilibrando sua brasilidade na veia roqueira tendo o pop como elemento acessível ligando as vertentes e improvisos da banda. Isso sem contar com as letras fáceis de cantar.

As três primeiras faixas, Aquela Força, Todas as Bandeiras e Clonazepam 2mg, já mostram isso logo de cara divertindo a gente. Apesar de termos aqui um disco em boa parte homogêneo, mantendo a mesma pegada, é possível encontrarmos alguns contrastes como a faixa Hoje Eu Vou Sair com guitarras eufóricas distorcendo a linearidade construída até o momento e Quando Chove no Varal trazendo o sossego na melodia e nos vocais.

A Maglore apostou numa fórmula simples de fazer músicas que grudassem com facilidade, porém sem soar algo muito forçado. É assim em Me Deixa Legal, Eu Consegui, Calma e na mais regionalista/dançante de todas, Jogue Tudo Fora. Na última faixa, Valeu, Valeu, a Maglore sugere um "axé roqueiro" com um jogo de guitarras empolgadas.

"Todas as Bandeiras" é um disco satisfatório feito pra muita gente ouvir além do nicho austero independente.

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18 de agosto de 2017

Resenha » Grizzly Bear - Painted Ruins (2017)

Depois de conhecermos quatro músicas novas, dentre elas o carro-chefe Mourning Sound, o streaming do "Painted Ruins" do Grizzly Bear já está entre nós.

Desde que ele vazou dias atrás dá para, no mínimo, sentirmos a relevância que a banda tem com seus discos hoje em dia. "Painted Ruins" pode não trazer a grandeza que o aclamado Veckatimest (2009), principal referência da banda, mas certamente apresenta o insight e a sensibilidade que o Grizzly Bear possui. Em músicas como Three Rings, Aquarian, Glass Hillside e Neighbors tudo isso vem à tona.

Criatividade é uma necessidade recorrente na atualidade e enquanto algumas bandas ousam e exageram na dose, o Grizzly Bear parece se manter tranquilo quanto a isso se precavendo para não extrapolar limites, prezando fazer um disco coeso e com um bom nível.


Vale destacar que em "Painted Ruins" o Grizzly Bear não perdeu sua complexidade experimental e psicodélica, características inatas da banda, mas desta vez eles a apresentam de forma objetiva para uma assimilação mais ligeira sem a necesidade de escutar o disco várias vezes para finalmente entende-lo.

Ele pode não ser superior aos anteriores, mas sem dúvidas tem o selo de qualidade "Grizzly Bear" que pode agradar não somente ouvintes menos assíduos do grupo por ser o mais acessível como também os mais exigentes.

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26 de julho de 2017

Resenha » Vitor Colares - Fotografia de Rachadura (2017)

Vitor Colares é o representante cearense do tal rock triste ou talvez da nova mpb com uma vertente entristecida e "Fotografia de Rachadura" é seu mais novo disco, o segundo lançado esse ano.

Por trás do silêncio pode haver muito barulho pertubando nossa cabeça. Segredos, medos, dores, desejos, revolta. Em "Fotografia de Rachadura", Vitor Colares exprime tudo isso sem nos poupar de nada.

O álbum de oito faixas traz um som ambiente, caseiro, e relatos criados por ele para dar voz as melodias taciturnas que ecoam pela obra. Logo de cara em "memorando", vemos um cantor sentado numa cadeira, com perna cruzada, dedilhando seu violão com olhos fechados expondo seus sentimentos sobretudo honestos.

"tempestades tropicais" é aquela música que te acompanha quando você está no fundo do poço e de repente sons experimentais começam a querer gritar por você. A tentativa de uma reabilitação encontra-se na boa "nictografia" - significa arte de se escrever às escuras ou sem fazer uso da vista - com repeditas menções de "eu te daria tudo...".



Domado pela melancolia, Vitor nos entrega "fugere" - fugir - tal como uma marcha fúnebre conduzida pelo violão e sintetizadores. Tamanha é a tristeza que pode levar a pessoa a loucura, a sair de si, e em "ecdise" o músico pega emprestado o termo, que significa mudança de exosqueleto, para referênciar as mudanças de estado e som que se passa na música. 

Vitor Colares é um sujeito reflexivo. Em "antessala" ele faz uso do recurso spoken word para declamar seus pensamentos. Aqui a libertação está no desabafo. Pra encerrar o disco, "do refluxo" captura sons aleatórios e "epílogo" finaliza com mais citações como se Colares recobrasse a consciência depois de tudo e contasse o que aconteceu.

Para digerir "Fotografia de Rachadura" é necessário imergir na mente de seu autor. É durante esse processo que o disco se torna compreendido e sincero.



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17 de julho de 2017

Resenha » Jovem Palerosi - Ziyou (2017)

É legal quando conseguimos agregar algo novo ao nosso conhecimento de mundo. Nas andanças por aí nos deparamos com um mar de informações e as filtramos para ampliar nossa experiência de causa enquanto vai surgindo novas possibilidades.

O músico Jovem Palerosi parece entender bem esse processo e seu segundo álbum solo, "Ziyou", traz à tona sua vivência no centro da música eletrônica instrumental e suas experiências sensoriais. 

"Ziyou" vem do chinês que significa Liberdade - é também o nome do bairro onde ele mora em São Paulo - e o espírito livre do músico o permite entrar e sair de suas próprias influências de modo a deixar seu disco equilibrado. A cultura oriental em seu trabalho é um segmento forte que percebemos logo de cara em Ni Hao e Moseley Road, porém ela vai se diluindo de modo a ficar mais sutil durante o disco. É como se Palerosi nos levasse da China ao espaço sideral de uma música pra outra tal como em, 798, Auréolas e Chinateawn.

Os sintetizadores sinestésicos criam ambientações intimistas que contribuem para que o ouvinte sinta sua música de forma mais instrospectiva. As três últimas faixas do álbum, Arpegg Dream, Mercúrio 3.1 e Khayyam trazem essa experiência de um jeito mais étero, flutuante.

Um som com um toque exótico, transcendental e curiosamente bom. "Ziyou" saiu pelo selo Tropical Twista Records de São Paulo.



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19 de junho de 2017

Resenha » Ride - Weather Diaries (2017)

Voltar a atividade depois de tanto tempo parado tem lá seus desafios. O ritmo talvez não sejam mais o mesmo e a força, disposição, pior ainda. Porém há nesses momentos a pura motivação de retomar as atividades e viver em um novo período atípico a seu tempo fervilhando de informações e tendências. Isso dá fôlego para tocar a ideia pra frente.

Para o Ride esse tempo de inatividade durou 20 anos desde que lançou o último disco, "Tarantula" (1996). Lançar algo inédito nos dias atuais onde tudo não se encontra como antes pode ter seus obstáculos a serem superados. Há ainda a exigência, consequência da experiência, de fazer algo relevante que valha toda a expectativa criada pelo retorno.

Daí que "Weather Diaries", quinto disco do grupo, sobrevive a todas as tendências atuais, do eletrônico ao pop, e se situa bem na linha do tempo em que se encontra sem a necessidade de se deslocar completamente pra chamar a atenção a si.



Dá pra dizer que o disco equilibra bem o passado e o presente. Logo no início em singles como Lanoy Point e All I Want riffs e ruídos tratam de criar a áurea shoegaze do grupo acompanhado de um refrão pop que funciona bem. A postura rockeira presente em Charm Assault contrasta com a melancolia de Home Is a Feeling e na faixa título em seguida. Rocket Silver Symphony, lembra um pouco Stone Roses, tem a cara de uma canção que envelheceu bem no tempo.

Um viés roqueiro mais explosivo é determinante em "Weather Diaries" e sentimos isso em Lateral Alice, que confere ao disco um volume mais denso com um baixo pulsante, e em Cali. Após a instrumental Integration Tape, o Ride finaliza o disco com duas canções, Impermanence e White Sands, de melancolia mais intensa expressa através do flutuante dream-pop e do corrosivo shoegaze.

O fato é, "Weather Diaries" soa perfeitamente bem em nossos dias cumprindo não somente o pressuposto de bloquear o frenesi de hoje, ainda que talvez haja alguma interferência, mínima de certo, mas também de proteger a essência da banda criada lá atrás.



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