29 de dezembro de 2014

Os 10 Melhores Discos Internacionais de 2014

O fim de ano está chegando e nada melhor que concluir com a lista de melhores discos, agora com lista internacional. Esse ano foram mais de quinhentos discos escutados, muitos deletados logo de cara, outros, com uma segunda chance dada, escaparam da lixeira. Publiquei anteriormente uma lista com os dez melhores discos nacionais e pra fechar o ano aqui está a lista com os dez melhores discos nacionais,

Ah, 2014 também foi um ano marcado de boas estreias como as do Childhood, Alvvays, Jaws e o retorno de gente grande como Pink FloydPixies, Buzzcocks e por aí vai. Também deixo aqui registrado três grandes decepções: Kasabian, Klaxons e Julian Casablancas + The Voidz. A quem interessar possa, a lista.

10. Swans - To Be Kind
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O Swans é aquele tipo de banda que te deixa instigado até o último momento de seus discos que parecem tramas complexas repletas de detalhes que nos cercam de mistérios. "To Be Kind" traz essa essência. Um labirinto sem volta que você se envereda e fica sufocado com toda a densidade do disco. Ouvir o disco com auxílio do fone de ouvido ajuda a desvendar essa encruzilhada e no final você sente uma certa medida alívio de ter chegado a conclusão dessa empreitada épica embora a banda ainda persista em te desafiar.



09. FKA twigs - LP1
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Tahliah Barnett atende pelo nome musical FKA twigs e depois de dois EPs, a cantora lançou seu primeiro disco chamado "LP1" chamando a atenção de muita gente não só pelo fato de ser namorada do ator Robert Pattinson. FKA twigs trouxe à tona o trip hop com um certo lirismo que conferiu um grau de beleza ao disco que ainda ganhou contornos do R&B. "LP1" tem toda uma estética exótica que vai desde a malemolência das batidas eletrônicas a arte do disco. Uma obra certeira!



08. jj - V
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O duo sueco jj fez talvez aquele que seja o melhor disco da carreira da banda, o álbum "V". Comentei em outro post que o disco "....vai se desenhando em doze faixas com expressivos traços eletrônicos que entortam a linha pop do grupo sem deformá-lo por completo, apenas deixando-o com uma aparência fria e melancólica reprimindo características adocicadas do estilo. Em seu novo registro a jj nos envolve com a encantadora voz da Elin Kastlander e belos arranjos calculistas que exprimem a criatividade de dar novos contornos ao pop numa esfera eletrônica cheia de breaks e uma vibe etérea."


07. Damien Rice - My Favourite Faded Fantasy
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Que belo registro do cantor dado a ser melancólico, Damien Rice! Damien nos conferiu um disco folk refinado de melodias afáveis e em muito emotivas. "É como imaginar o folk sendo encenado em alguns atos por um artista que conhece bem esses caminhos e vai em busca de algo mais apurado expressando a música com sentimento em resultado de anos de aperfeiçoamento." Depois de oito anos sem lançar um disco o músico lançou seu terceiro trabalho, "My Favourite Faded Fantasy". Um bálsamo aos nossos ouvidos! (leia a resenha aqui)


06. Maxïmo Park - Too Much Information
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Da safra de bandas que se sustentam no indie rock o Maxïmo Park foi uma das poucas que aprimoraram seu som. Vindo de um disco bem calibrado no estilo, "The National Health", Paul Smith e companhia colocaram o pé no freio em "Too Much Information" desacelerando as guitarras (Leave This Island e Lydia, The Ink Will Never Dry) para deixá-las mais flexíveis e aspirar uma nova pegada sem a correria obrigatória de antes. O disco funciona bem e mostra a evolução do grupo de se sair de outro belo clichê. (leia a resenha aqui)


05. TV On The Radio - Seeds
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"Seeds" do TV On The Radio era um dos álbuns mais aguardados desse ano e quando ele surgiu dividiu a opinião de muitos. O quinto disco do grupo trouxe uma postura mais flexível com um apelo pop mais forte com ajuda dos sintetizadores, bem evidente nas faixas Happy Idiot e Ride. Conhecido por fazer jus ao artrock, o TV On The Radio fez de "Seeds" seu disco mais acessível, não o melhor deles, mas aquele que agrada facilmente, sem mistérios.



04. Wild Beasts - Present Tense
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O Wild Beasts lançou "Present Tense" em Fevereiro e embora as guitarras marcantes de Two Dancers (2009) façam falta o som contínua redondo e criativo. "Present Tense, apresenta a banda cavando numa aparelhagem eletrônica o alicerce necessário para satisfazer suas próprias exigências, algo já visto no anterior "Smother" (2011). Os sintetizadores em primeiro plano criam um cenário noturno iluminado por guitarras que interagem com efeitos eletrônicos produzindo uma sequência de canções ricas em detalhes"


03. The War On Drugs - Lost In The Dream
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"Lost In The Dream", terceiro trabalho do The War On Drugs, foi um dos discos que mais figurou nas listas de melhores do ano por ai e a verdade é que estamos diante de um som refinado que soa atual, mas que carrega traços do passado de forma madura e elegante. O rock e o country se entrelaçam para montar um ambiente harmonioso cheio de melodias que nos deixam espairecer em seus belos arranjos como nas belíssimas Disappearing e Eyes To The Wind.



02. St. Vincent - St. Vincent
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A rainha indie Annie Clark (St. Vincent) fez o segundo melhor disco do ano, o homônimo "St. Vincent". Dotado de uma criatividade imposta por uma cantora inspirada a criar uma pluralidade de sons, o disco mescla melodias caracterizadas pelo uso frenético de sua guitarra como em Birth In Reverse, uma sensibilidade eletrônica na sequência melancólica de I Prefer Your Love até causar a falsa impressão de uma baladinha pop com Psychopath. Annie foge do elementar e vai em busca de conjugar outros sons, enroscando um tom e outro, dando um toque pessoal nas faixas para fazer um disco irrepreensível.

01. Temples - Sun Structures
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O debut dos ingleses do Temples, "Sun Structures", foi um dos discos que mais tocou aqui e a faixa The Golden Throne uma das que mais ouvi esse ano. As primeiras faixas lançadas em anos anteriores trouxeram a premissa de ser uma das revelações do ano com sua neo-psicodelia impregnante e isso se confirmou em cheio com o lançamento do "Sun Structures". Os arranjos psicodélicos nos conduzem a um passeio pelo disco repleto de canções que permanecem em loop na nossa mente como um sonho bom que você torce para que não acabe logo. (leia a resenha aqui)



Outros discos sem ordem preferência:
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Interpol - El Pintor
The Magic Numbers - Alias
Röyksopp - The Inevitable End
Ariel Pink - pom pom
Ben Howard - I Forfet Where We Were
Sinkane - Mean Love
Royal Blood - Royal Blood
Maybeshewill - Fair Youth
Phillip Selway - Weatherhouse
Death From Above 1979 - The Physical World
Mapei - Hey Hey
The Antlers - Familiars
Johnny Marr - Playland
Fujiya & Miyagi - Artificial Sweeteners
Dry The River - Alarms In The Heart
Aphex Twin - Syro
Marissa Nadler - July
Foxygen - ...And Star Power
Ispiral Carpets - Inspiral Carpets
Kaiser Chiefs - Education, Education, Education & War
Neil Young - Storytone
Sharon Van Etten - Are We There
Fireflies - In Dreams
The Twilight Sad - Nobody Wants to Be Here and Nobody Wants to Leave
Ty Segall - Manipulator
Nothing - Guilty Of Everything
Manic Street Preachers - Futurology
Gruff Rhys - American Interior
Merchandise - After The End
Future Islands - Singles
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7 de dezembro de 2014

Os 10 Melhores Discos Nacionais de 2014

Eis a tão aguardada lista de melhores do ano, um resumo contendo os discos que mais se destacaram ao longo de 2014 em minha opinião. Diferentemente da lista de 2013, onde coloquei alguns discos nacionais em meio a discos internacionais, esses últimos em sua maioria, esse ano resolvi separar as coisas visto que consegui acompanhar uma boa parte dos lançamentos tupiniquins para elencar o que de melhor rolou a nível nacional, que aliás foi um bom ano. Teve muita gente que debutou esse ano demonstrando logo de cara um som maduro e preciso, sem medo de ser feliz. O rock instrumental teve um grande destaque, bem como o folk e os novos representantes da MPB, sem falar do rock com a cara pop.

A lista, como mostra o título do post, é composta de dez discos, mas que poderia facilmente ser de vinte, trinta e, quem sabe, cinquenta discos como foi a primeira lista publicada aqui no blog, Uma lista com no mínimo dez discos é justa. Enfim, sem mais delongas vejam abaixo a lista com o os melhores discos nacionais do ano seguido de um pequeno comentário para cada.


10. Câmera - Mountain Tops
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A banda mineira Câmera foi uma das bandas que lançou seu primeiro disco esse ano, apesar de terem alguns EPs lançados, e acertaram em cheio com seu disco "Mountain Tops" (clique aqui para ouvir o disco). Com elementos que caracterizam um som versátil e intuitivo, o grupo andou pela sutileza do folk, pela densidade do revival post-punk e pela harmonia do rock instrumental agregando sons para fazer um disco bem consistente e eficiente que nos remonta a vários ambientes sempre acompanhados de vocais suaves que nos confortam nessa viagem que é "Mountain Tops".



09. Aurora - Aurora
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Aurora é um projeto que reúne dois sujeitos distintos, mas que encontraram um elo para formarem um duo que deu certo. Bárbara Eugênia se juntou ao guitarrista Fernando Cappi, da banda Hultmold, e juntos lançaram um disco homônimo com um folk em linhas bem dinâmicas. Em outro post comentei a respeito: "A ideia do duo é fomentar um folk que soe como novo sem perder as amarras de algo mais clássico como um lado roqueiro que aparece feito um ilustre convidado em meio aos embalos folkianos criados por eles." Nesse ambiente, Aurora foi um dos destaques.



08. Gauche - Teatro de Serafins
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Vindo da Paraíba, a banda Gauche surpreendeu a todos com seu disco de estreia "Teatro de Serafins" demonstrando um som maduro e coeso bem sustentado num alicerce roqueiro montado com uma estrutura que destaca a psicodelia em performance com o pop. Diante de toda a expectativa que é lançar o primeiro trabalho, os meninos da banda Gauche deram conta do recado com o lançamento de "Teatro de Serafins" deixando uma boa impressão para os próximos discos da banda.



07. Marcelo Perdido - Lenhador
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Marcelo Perdido, outro excelente músico dessa nova safra da música brasileira, iniciou sua carreira solo de maneira belíssima lançando seu disco, "Lenhador". O cantor, ex Hidrocor, trouxe para nós um disco bem afinado, de melodias nobres e canções que nos embalam com facilidade pelos caminhos da MPB com um apelo ao pop e ao folk. Um dos destaques do disco é, sem dúvidas, a faixa Sacolé cantada com Laura Lavieri, a moça que acompanha outro Marcelo, o Jeneci, e também a faixa Merda. "Lenhador" é singelo e honesto.



06. Kalouv - Pluvero
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Como disse no começo do post, o rock instrumental teve seus bons momentos esse ano e a banda pernambucana Kalouv é responsável por um dos belos registros do estilo com seu segundo álbum "Pluvero". Em outro post defini o disco como "dotado de um post-rock vigoroso, algo como uma poesia instrumental cuja as rimas são notas harmônicas, por vezes dissonantes sem soar desajeitado, que não enxerga limites à sua frente." Um disco profundo, que nos imerge em águas turbulentas antes de encontrarmos a calmaria.



05. Phillip Long - A Blue Waltz
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'"A Blue Waltz" carrega uma sensibilidade que Phillip Long exprime em arranjos delicados, minuciosos e versáteis como se cada canção carregasse um sentimento nobre que clama para ser compreendido através da serena voz do cantor." Phillip é um sujeito um tanto melancólico. Seus últimos discos são uma prova disso. "A Blue Waltz" é aquela obra que busca nos sensibilizar com canções cheia de afagos em nossos ouvidos. O cantor faz a música ser sentida e apreciada com louvor em seu novo disco. (Leia a resenha aqui)



04. Banda do Mar - Banda do Mar
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Era previsível que algum dia Marcelo Camelo e Mallu Magalhães se juntassem para formar pelo menos um duo. Ao invés disso, os dois se juntaram ao português Fred Ferreira para formar a Banda do Mar. O primeiro disco da banda, homônimo, trouxe à tona uma experiência inovadora pra eles. Fazer o rock soar radiofônico com uma pegada mais surf rock, sem esquecer de suas características pessoais como músicos, foi a principal encomenda do disco que nos foi entregue com muito prazer.



03. SILVA - Vista Pro Mar
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O SILVA talvez seja aquele artista do meio independente que mais está em ascensão desde seu fabuloso disco "Claridão" até chegarmos em seu tão aguardado segundo disco "Vista Pro Mar" (leia a resenha aqui). A capacidade do músico de lidar com a música pop de maneira inteligente e versátil é inegável. Em "Vista Pro Mar", SILVA procurou a maturidade e continuou com ambição de explorar novos sons "durante 11 canções que validam a música feita por um sujeito que está nos ensinando a gostar do pop nacional de outra maneira." Seu segundo disco trouxe hits que ainda ecoam por aí e reforçam o talento do cantor.



02. ruído/mm - Rasura
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Não resta dúvidas que em se tratando de post-rock (rock instrumental) a nível nacional, a banda ruído/mm é uma das referências. Esse ano o grupo lançou mais uma evidência disso com o belíssimo trabalho intitulado, "Rasura". Conforme comentei outra vez, o disco "vem consolidar a trajetória da banda em fazer um post-rock primoroso daqueles que mexem com a semiótica de nossa imaginação. A comunhão de sons explorados pelo grupo resulta em uma tocante harmonia experimental que pinta paisagens diferentes em nossa mente de utópicas a pitorescas passando por uma viva realidade."



01. Lupe de Lupe - Quarup
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Eis o primeiríssimo lugar! "Quarup" da banda Lupe de Lupe surpreende pela sua heterogeneidade e capacidade de prender nossa atenção ao longo de suas 21 faixas. O som roqueiro e amistoso com alguns sobressaltos ao pop como nas faixas O Arrependimento, Colgate e Ágape aumentaram o brio do grupo que se dispõe a vasculhar artifícios no punk, no noise e no shoegaze para construir a sua identidade musical. Em "Quarup", a Lupe de Lupe nos insere num plano delicado com arranjos envolventes ao mesmo tempo que nos assusta com um som invasivo e cru na segunda parte do disco com nas faixas Jurupari, Querubim e Eu Já Venci. Cada faixa carrega uma essência com a banda prezando a liberdade de fazer escolhas para compor o seu som em desapego a um sistema que regre sua sonoridade. "Quarup" é leve e pesado e a Lupe de Lupe seu ponto de equilíbrio. 
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