18 de agosto de 2017

Resenha » Grizzly Bear - Painted Ruins (2017)

Depois de conhecermos quatro músicas novas, dentre elas o carro-chefe Mourning Sound, o streaming do "Painted Ruins" do Grizzly Bear já está entre nós.

Desde que ele vazou dias atrás dá para, no mínimo, sentirmos a relevância que a banda tem com seus discos hoje em dia. "Painted Ruins" pode não trazer a grandeza que o aclamado Veckatimest (2009), principal referência da banda, mas certamente apresenta o insight e a sensibilidade que o Grizzly Bear possui. Em músicas como Three Rings, Aquarian, Glass Hillside e Neighbors tudo isso vem à tona.

Criatividade é uma necessidade recorrente na atualidade e enquanto algumas bandas ousam e exageram na dose, o Grizzly Bear parece se manter tranquilo quanto a isso se precavendo para não extrapolar limites, prezando fazer um disco coeso e com um bom nível.


Vale destacar que em "Painted Ruins" o Grizzly Bear não perdeu sua complexidade experimental e psicodélica, características inatas da banda, mas desta vez eles a apresentam de forma objetiva para uma assimilação mais ligeira sem a necesidade de escutar o disco várias vezes para finalmente entende-lo.

Ele pode não ser superior aos anteriores, mas sem dúvidas tem o selo de qualidade "Grizzly Bear" que pode agradar não somente ouvintes menos assíduos do grupo por ser o mais acessível como também os mais exigentes.

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19 de junho de 2017

Resenha » Ride - Weather Diaries (2017)

Voltar a atividade depois de tanto tempo parado tem lá seus desafios. O ritmo talvez não sejam mais o mesmo e a força, disposição, pior ainda. Porém há nesses momentos a pura motivação de retomar as atividades e viver em um novo período atípico a seu tempo fervilhando de informações e tendências. Isso dá fôlego para tocar a ideia pra frente.

Para o Ride esse tempo de inatividade durou 20 anos desde que lançou o último disco, "Tarantula" (1996). Lançar algo inédito nos dias atuais onde tudo não se encontra como antes pode ter seus obstáculos a serem superados. Há ainda a exigência, consequência da experiência, de fazer algo relevante que valha toda a expectativa criada pelo retorno.

Daí que "Weather Diaries", quinto disco do grupo, sobrevive a todas as tendências atuais, do eletrônico ao pop, e se situa bem na linha do tempo em que se encontra sem a necessidade de se deslocar completamente pra chamar a atenção a si.



Dá pra dizer que o disco equilibra bem o passado e o presente. Logo no início em singles como Lanoy Point e All I Want riffs e ruídos tratam de criar a áurea shoegaze do grupo acompanhado de um refrão pop que funciona bem. A postura rockeira presente em Charm Assault contrasta com a melancolia de Home Is a Feeling e na faixa título em seguida. Rocket Silver Symphony, lembra um pouco Stone Roses, tem a cara de uma canção que envelheceu bem no tempo.

Um viés roqueiro mais explosivo é determinante em "Weather Diaries" e sentimos isso em Lateral Alice, que confere ao disco um volume mais denso com um baixo pulsante, e em Cali. Após a instrumental Integration Tape, o Ride finaliza o disco com duas canções, Impermanence e White Sands, de melancolia mais intensa expressa através do flutuante dream-pop e do corrosivo shoegaze.

O fato é, "Weather Diaries" soa perfeitamente bem em nossos dias cumprindo não somente o pressuposto de bloquear o frenesi de hoje, ainda que talvez haja alguma interferência, mínima de certo, mas também de proteger a essência da banda criada lá atrás.



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28 de maio de 2017

Resenha » Dan Auerbach - Waiting On A Song (2017)

A carreira solo de Dan Auerbach do Black Keys como cantor ou produtor pode não ter a mesma visibilidade que sua banda e seus oito discos lançados até então - o último foi "Turn Blue" há três anos atrás. Essa visão muda com o lançamento de seu segundo disco, "Waiting On A Song", o primeiro desde "Keep it Hid" (2009), não somente por ser seu "novo trabalho", mas por esse apresentar qualidade acima da média incluindo os próprios discos do Black Keys.

Em "Waiting On A Song", Dan Auerbach se apropria do pop de forma despretensiosa permitindo que ele dialogue com outras referências para fazê-lo soar leve e divertido, sem pesar nos clichês.

Ele começa a emplacar logo de cara com quatro faixas absurdas como a faixa-título, Malibu Man e Livin' In Sin e Shine On Me mostrando que o pop pode cruzar com o blues e o folk criando uma singular vibe ensolarada entre os três segmentos sem precisar de muito esforço. Aqui seu potencial pop está bem centralizado o que já é suficiente para nos empolgar.


O álbum segue evoluindo com King Of a One Horse Town e Never In My Wildest Dream que nos remete ao passado apelando por uma estética retrô nas canções marcando outro ponto forte do disco. Dando sequência a isso, grooves surgem em Cherrybomb para dar mais relevância a obra.

Discos que deixam o que há de melhor logo no começo do disco, tendem a esquecer o meio pro final com músicas colocadas ali apenas pra cumprir tabela. Dan Auerbach atento a isso equilibrou começo, meio e fim. Justamente no final do disco encontramos músicas com uma essência mais rebuscadas tais como Stand By My Girl e Undertow balanceando o teor pop açucarado que encontramos logo no início.

Show Me encerra o álbum com chave de ouro numa canção que mistura um pouco de country, folk e indie pop embalados por um violão ensolarado e violino ao fundo onde somos contagiados por um refrão grudento com direito a palminhas e tudo. Simples e bonito!

Dificilmente dá pra dizer que há uma faixa ruim em "Waiting On a Song", do contrário, dá pra favoritar as dez músicas tranquilamente. Pra mim esse é sem dúvidas um dos grandes discos do ano e talvez o melhor feito por Dan Auerbach quer como Black Keys ou quer como produtor de terceiros.




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11 de maio de 2017

Resenha » British Sea Power - Let The Dancers Inherit The Party (2017)

O British Sea Power é uma dessas bandas que possuem uma trajetória sólida construida com o lançamento de bons discos sendo o debut, "The Decline Of Brisith Sea Power" (2003) e "Do You Like Rock Music?" (2008) duas belas referências do chamado post-punk revival. Não é à toa que quando se fala no estilo, a banda rapidamente é lembrada.

O peso e a densidade dos riffs seguiram ditando o ritmo desde o início dessa jornada há quatorze anos atrás. Esse ano o grupo britânico chegou ao sexto disco, "Let The Dancers Inherit The Party", mostrando a necessidade de passar por adaptações, mesmo que simplórias, sem despregar-se de importantes valores de sua formação.

Após uma introdução ligeira, o disco inicia com o single Bad Bohemian, uma música que retrata inspirações do passado como Echo And The Bunnymen e que soa perfeitamente bem nos dias atuais. Uma característica do British Sea Power é que a banda consegue fidelizar seus fãs com sua típica pegada robusta em seus riffs certeiros como vemos em International Space Station. Na sequência com What You're Doing e The Voice Of Ivy Lee percebemos um BSP se apegando ao um lado mais melódico com a perspectiva de soar mais pop. E conseguem!


Keep On Trying (Sechs Freunde) é outro carro-chefe do disco e o hit com refrão repetitivo feito pra grudar junto aos riffs tinindo na cabeça. Voltando um pouco para o lado obscuro, Electrical Kittens vem deixar o clima mais pesado enquanto Saint Jerome expõe uma revoltada que estava para surgir. Logo em seguida o British Sea Power nos coloca diante de uma faixa mais neutra, Praise For Whatever, e outra mais melancólica Want To Be Free.

Chegando no final do álbum, o grupo não perde o pique e encaixa mais riffs assertivos em Don't Let The Sun Get In The Way, mas depois encerra o disco de forma diferente numa balada mais lenta conduzida por um piano em Alone Piano.

Em suma "Let The Dancers Inherit The Party" destaca-se pelo equilíbrio naquilo que o British Sea Power sabe fazer de melhor aliando peso e velocidade com um aspecto melódico, por assim dizer mais pop, e talvez esse último quesito torne o disco ligeiramente diferente dos anteriores.



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4 de fevereiro de 2017

Resenha » Japandroids - Near To The Wild Heart Of Life (2017)

Cinco anos depois de lançar "Celebration Rock", o duo canadense Japandroids sai do hiato apresentando seu terceiro disco chamado "Near To The Wild Heart Of Life". (Ouça ele aqui.)

Conhecidos por misturarem o indie rock com um sobressalto noise que se estica pelas veias do punk entre um barulho e outro, o Japandroids parece que resolveu dar uma amenizada nas distorções e ruídos para arriscar um som mais ligeiro, alinhado em algo que talvez não estivesse tão longe assim do grupo, o hardcore.

Logo de cara, a faixa-título que inicia o disco já traz essa pegada bem sugestiva. A guitarra acelerada em conjunto com a bateria pulsam um ritmo mais melódico que o normal se levarmos em consideração seus anteriores trabalhos, "Post-Nothing" e "Celebration Rock". A concepção que tínhamos do grupo acaba mudando com essa tendência menos agressiva adotada por eles e isso se confirma ainda mais quando ouvimos North East South West de som elementar e backing vocal funcionando como numa banda emo.



Em True Love And A Free Life Or Free Will temos aí uma música de caráter inofensivo feita para amaciar nossos ouvidos e isso vindo do Japandroids soa estranhamente ruim assim como I'm Sorry (For Not Finding You Sonner) e a interminável Arc Of Bar com seus 7:25seg de uma música forçada.

Nas três últimas músicas que finalizam o disco, o Japandroids nos reserva ruídos quase inofensivos como se eles surgissem perante uma necessidade de ter seu potencial limitado para não agredir tanto como das outras vezes. 

Particularmente esperava um disco energético e dissonante. Encontrei nele um "noise" melódico metido a punk, hardcore!

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