11 de dezembro de 2015

Os Dez Melhores Discos Internacionais de 2015

Bem, fim de ano chegando e é aquela história de lista pra lá, lista pra cá, separa os discos bons dos ruins pra depois escolher os ótimos e montar a lista definitiva. Em 2015 escutei mais de 500 discos por alto. No final fui me baseando em algumas boas lembranças e consultando outras listas para montar uma prévia pra análise e ouvir novamente cada disco o que acabou fazendo a diferença para alguns álbuns aparecerem na lista de Melhores do Ano.

Assim como no ano passado (Melhores Discos de 2014) optei por eleger apenas dez discos porque no final, acredito, é o que mais se leva em consideração. Confiram aí a lista dos 10 Melhores Discos Internacionais de 2015 - é claro, na minha opinião.

10. Eternal Summers - Gold And Stone
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O "Gold And Stone" foi um disco que surgiu despretensioso no meio de tantos falados, mas bastou algumas audições extras para que ele revelasse sua qualidade na afinação entre o noise e o pop. O Eternal Summers conseguiu fazer um disco correto trabalhando bem na proposta de criar um noise de forma equilibrada para deixar um retrogosto ruidoso ao pop bem marcado nos vocais de Nicole Yun. Destaques do disco: Together Or Alone, Gold And Stone e Black Diamond.

09. Kurt Vile - b'lieve i'm goin down...
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A carreira do Kurt Vile ganhou um salto com seu disco de 2013 "Wakin On a Pretty Daze". Esse ano ele se mantém em evidência com "b'lieve i'm goin down..." fazendo um folk mesclado com o country com base no violão criando aquele típico clima bucólico sendo um dos melhores do estilo no ano. Alguns destaques ficam por conta de: Pretty Pimpim e Dustie Bunnies.

08. Benjamin Clementine - At Least For Now
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Se temos que apontar uma das revelações desse ano, com certeza, o Benjamin Clementine, com seu disco de estreia "At Least For Now", é uma delas. De voz poderosa, Clementine entoou o soul de forma eloquente sem precisar de muito esforço. A simplicidade de suas melodias preparou o ambiente para o músico cantar com emoção e se nem sempre de hits vivem os melhores discos, o "At Least For Now" é um deles. Ouça: Winston Churchill's BoyCornestone e Condolence.

07. Lianne La Havas - Blood
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Se você esperava que o "25" seria o melhor disco de Soul Pop do ano e se frustrou um pouco não deixe de ouvir "Blood", segundo disco da Lianne La Havas. A cantora calibrou seu soul de forma elegante, sendo uma das melhores referências do neo-soul atualmente. O pop vibrou em seu timbre poderoso o que embelezou ainda mais sua música. Como dica ouçam:  Unstoppable, What You Don't Do, Tokyo e Never Get Enough

06. Unknown Mortal Orchestra - Multi-Love
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O quarteto Unknown Mortal Orchestra fez de "Multi-Love" seu disco mais acessível. A vibe psicodélica serve como molde pro pop soar original agregando outros valores como RnB e o jazz de forma bem pontual. O clima ensolarado, meio nostálgico, predomina no disco que é convidativo cheio de músicas que nos insinua a dançar. Alguns destaques do disco são: Multi-LoveExtreme Wealth And Casual Cruelty e Necessary Evil.

05. Julia Holter - Have You My Wilderness
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A Julia Holter é uma dessas cantoras que te obriga a analisar sua obra com atenção. "Have You My Wilderness" é cheio de detalhes que o ajudam a sair de uma linha comum mesmo que músicas como Feel You e Silhouette digam o contrário. Seu som tem sempre um tom mais artístico incrementado por notas mais rebuscadas e seu quarto álbum é digno de elogios. Ouça também: How Long? e Lucette Stranded on the Island.

04. Courtney Barnett - Sometimes I Sit And Think And Sometimes I Just Sit
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A australiana Courtney Barnett deu seu recado de forma certeira com seu aclamado primeiro disco, "Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit". Com um indie rock despojado, Courtney demonstrou ousadia nos vocais e guitarra enérgica com tendências punk e folk rock emplacando hits como Pedestrian At BestNobody Really Cares If You Don't Go to the Party e Dead Fox. Sem dúvidas, uma das grandes revelações desse ano que supriu qualquer expectativa sobre ela.

03. Sufjan Stevens - Carrie & Lowell
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O Sufjan Stevens pode ter largado um pouco seu lado experimental em "Carrie & Lowell", mas nem por isso o disco deixou de ter sua marca. Melodias singelas, sonhadoras, somadas a vocais reconfortantes, foi o que Stevens trouxe para nós em "Carrie & Lowell". O disco contém uma carga emotiva predominante e que talvez por isso cative de forma mais rápida. Um belíssimo trabalho. Ouça: Drawn to the Blood e Should Have Known Better.

02. Viet Cong - Viet Cong
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O segundo lugar fica por conta do Viet Cong que lançou seu primeiro disco, homônimo, esse ano e ele veio avassalador. Com referências ao post-punk misturado com o noise rock, o som é denso e abafado. Um instrumental intenso e pulsante ditam a pegada e o ritmo do disco que apesar de ter apenas sete faixas não deixa a desejar em nada. O uso de teclados aparecem como atrativo à parte em meio ao som arrebatador. Experimente ouvir: Pointless Experience, March Of Progress e Silhouettes.

01. Here We Go Magic - Be Small
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Eis o melhor disco do ano! Já não é de hoje que os americanos do Here We Go Magic vem se destacando. A banda vem numa crescente boa desde seu debut em 2009 e esse ano seu quarto disco, "Be Small", vem confirmar a qualidade do grupo em equilibrar o indie rock, com nuances psicodélicas e experimentais. Ele foi uma dos poucos disco que pude resenhar esse ano e que acabou ganhando cinco estrelinhas. Uma trecho do texto diz: "A variante experimental é um recurso que eles utilizam de forma equilibrada para dar uma textura diferenciada a outros componentes como indie rock e o folk com um viés psicodélico. Em termos simples podemos dizer que o Here We Go Magic faz um som experimental para iniciantes, bem acessível." (leia a resenha aqui) Ouçam: Stella, Falling, Candy People e News.
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13 de outubro de 2015

Resenha » Here We Go Magic - Be Small (2015)

Logo que o Here We Go Magic lançou seu debut em 2009 a banda foi associada a nomes como Grizzly Bear e Animal Collective, por exemplo, graças a textura experimental que sua sonoridade carregava, porém não tão marcada quanto as bandas citadas. Seus três primeiros trabalhos são bem competentes, recomendados pra quem quer fugir de algo massante.

Seu mais novo disco se chama "Be Small" e novamente temos aí um belo trabalho da banda. A camada experimental carrega os traços psicodélicos que vão dando formas diferentes no disco condicionando o pop e o folk em linhas disformes.

A variante experimental é um recurso que eles utilizam de forma equilibrada para dar uma textura diferenciada a outros componentes como indie rock e o folk com um viés psicodélico. Em termos simples podemos dizer que o Here We Go Magic faz um som experimental para iniciantes, bem acessível.


Em "Be Small" vemos em músicas como a ótima Falling, com um fórmula nostálgica espalhada em um segmento arranhado e Candy Apple, enxertando um camada eletrônica dançante, os melhores momentos da obra. Após a Intro no início do disco, os efeitos em Stella carregam um suingue meio latino que já de cara mostra a flexibilidade da banda que emenda a faixa com uma baladinha folk psicodélica de qualidade na faixa-título. O Here We Go Magic dispensa os exageros do universo distópico, mas também não se submete a mesmice indie.

A banda segue um padrão não-linear nos colocando em ambientes distintos. Girls In The Early Morning inicia de um jeito despretensioso no violão depois começa a pintar uma paisagem colorida de forma sutil à sua frente. Os loops eletrônicos com alguns ruídos dominam a faixa Tokyo London US Korea. Daí o disco vai se remodelando e depois de um intervalo, Wishing Well, Ordinary Feeling aponta para um clima acústico com desdobramentos de final etéreo.

Sem deixar o nível do disco decair, comum em discos comuns, o Here We Go Magic reservou outros dois bons momentos com News de estética eletrônica e guitarras ensolaradas e Dancing World de ondulações psicodélicas moderadas.

"Be Small" é excelente. Seu experimentalismo refinado é sua principal característica que levará o Here We Go Magic a aparecer em algumas listas de Melhores do Ano.

Nota: ★★★★★

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